Pão e circo

Por trás de uma máscara, todo covarde é guerreiro.


Pão e circo

O país sofre econômica e politicamente? Obviamente. Porém, a pergunta não é como deixaremos de sofrer e sim por que sofremos. Nós sofremos porque o sistema político é um agente produtor do sofrimento e do mal, quando deveria ser ministro de Deus para a promoção e validação do bem, com o enfrentamento do mal.

O Estado Brasileiro é gigantesco. É ultra burocratizado, cheio de brechas legislativas e fiscais, e governado para os poderosos. Aqui, o mais rico fica multimilionário, enquanto o mais pobre morre de fome. O que tem o contato certo garante sua estabilidade financeira e profissional, enquanto o trabalhador simples permanece enfrentando filas e mais filas de procura de emprego, mas sem sucesso.

A questão maior é que o brasileiro está sempre fazendo suas escolhas democráticas na lógica idólatra do Estado, como se este fosse o responsável último por botar comida em sua dispensa e prover tanto sua renda quanto a administração dela. E aí está a razão do nosso sofrimento.

Diz a Escritura em Provérbios 29.4 (NTLH): “Quando o governo é justo, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba em desgraça.” Veja bem, o governo deveria se ocupar menos com a individualidade do povo e mais com a garantia de sua liberdade. Isso acontece hoje?

Moro no Estado do Rio de Janeiro. Aqui efetivamente não há segurança, e isso porque não há nem recursos para pagar os funcionários públicos da área. E isso é meio que lógico, pois nos últimos anos tivemos obras e mais obras superfaturadas para promover uma Copa do Mundo (que teve o palco da final o Maracanã, estádio de futebol este que foi reformado com o dinheiro do pobre) e as Olimpíadas “Rio 2016”, que renderam rombos e mais rombos nos cofres públicos, acumulando obras inacabadas, superfaturadas, com empresas investigadas pela Lava-Jato e que, hoje, ainda comprometem a economia da cidade do Rio de Janeiro, que ainda ganhou um novo prefeito no ano passado que realmente não está sabendo resolver estes problemas – até porque não se resolve um problema quando você é parte do problema.

Crivella, Pezão e Temer são alguns dos nossos problemas neste ano, mas não são os únicos. Eles fazem parte de uma corja gigantesca que vem governando o país há décadas, e que o brasileiro tem feito questão de recolocá-los sempre no poder. Crivella já foi ministro no governo Dilma, Pezão é o filhote do Cabral (o maior bandido da história do RJ) e Temer até ontem era o vice-presidente confiável da chapa que ganhou as eleições presidenciais de 2014.

Hoje são os vilões, mas já estiveram de mãos dadas e erguidas ao público nos showmícios com os supostos mocinhos que ou foram depostos ou estão condenados pela justiça federal.

O problema aqui eu creio ser um pouco além; temos um problema de conceito. Por que acreditamos tanto que homens caídos no pecado podem suprir todas as nossas necessidades sociais?

Quem ocupa as cadeiras democráticas são pessoas sujeitas a todo tipo de erro; logo, deveríamos considerar que o tamanho do Estado infere no tamanho da nossa liberdade e paz. O Estado, com as pessoas que lhes representam, não consegue fornecer com qualidade o básico que é segurança, saúde e educação. Como crer que o Estado, gigantesco como está, pode garantir direitos, principalmente aos mais pobres?

Alguns afirmam que diminuir o Estado é deixar o povo pobre desguarnecido politicamente, fazendo com que os poderosos lhes roubem até o que não tem. Mas não seria este o cenário atual? Qual pobre acessa um hospital público de qualidade? Quem consegue hoje uma educação básica digna se não for pelo serviço privado? Quais são as famílias que se sentem seguras de utilizar um transporte público ou de ir e vir mesmo que seja a pé?

Ou estamos ou estão nos enganando.

O carnaval 2018 vai ter uma marca profunda de problematização ideológica e abordagem crítica aos políticos que ocupam as cadeiras desejadas por tantos políticos velhos no momento, mas também vai evidenciar que a indignação é de certa forma seletiva, pois o que mais move os responsáveis por este evento é quanto de dinheiro público o governo disponibiliza ou deixa de disponibilizar para que eles façam a festa – em todos os sentidos – com o suor de gente que nem sempre usufrui desta produção cultural.

Os famosos e ricos estão nos camarotes e destacados nos carros alegóricos, enquanto o povo está bem embaixo, seja no cimento de uma arquibancada ou no chão da avenida, fazendo um esforço enorme para esquecer que lhe falta grana para pagar todas as contas do mês porque um percentual considerável de sua renda está nas mãos destes governantes que a gente elege de quatro em quatro anos. Por meio de uma selfie sorridente ou de um belo registro praiano em plena segunda feira de carnaval, a massa de manobra, que se satisfaz no pão e no circo, se sente locupletada a despeito de sua impotência.

Criticar o governo é um bom caminho, mas eleger gente com um pensamento mais próximo do ideal da Escritura, que não quer abusar na cobrança de impostos e que deseja promover mais justiça e liberdade ainda é um caminho mais eficaz para minimizar os efeitos dolorosos que a vida terrena nos proporciona.

E ninguém aqui é louco de achar que é pela política ou por meio de políticos que seremos salvos, não é? Se Cristo não é nossa esperança, não apenas a quarta feira, mas a vida inteira será repleta de cinzas.



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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