Patriarcado? O buraco é mais embaixo. A questão é o patricentrismo!

Uma "crítica à crítica" feminista do modelo bíblico familiar.


Patriarcado? O buraco é mais embaixo

Apesar do conceito veterotestamentário de patriarcado ser uma compreensão estrutural da família do antigo Israel completamente diferente daquilo que o feminismo pós-moderno buscou desacreditar bruscamente nas últimas décadas, o foco da organização familiar bíblica é muito mais “patricentrista” do que “patriarcal”.

O termo “patriarcado” significa na Escritura hebraica um “modelo de família baseado no governo do pai”, onde a autoridade (que é diferente de posse) e a responsabilidade de exercer uma “liderança serviçal” era a sua maior missão e lhe dava toda razão de existir. Isso não significa que todos os pais apresentados no AT conseguiram cumprir bem o seu papel, até porque a presença do pecado nos impede de obedecer a Deus integralmente (não dependendo da geração em que pertencemos); porém, é necessário se fazer uso da honestidade hermenêutica para tecermos uma crítica ao conteúdo epistemológico da Palavra de Deus.

O que mais chama a atenção é que o conceito bíblico se tornou num espantalho a ser combatido por pessoas que, a despeito do discurso combativo que possuem, negam toda a moralidade familiar saudável em sua prática de vida ou em suas histórias. Pessoas que jamais compreenderam na prática o amor paterno mas que almejam enfrentar um pseudo inimigo ideológico que não existe.

O que na verdade existe são seres humanos maus, independentemente de uma imposição ideológica ou cultural; – no entanto, o que temos de assistir de camarote é uma proclamação universal da falência da instituição familiar (especialmente judaico-cristã) com o uso de um termo estritamente bíblico para fins de argumentações filosófico/políticas que atacam e condenam definitivamente um termo por simplesmente acharem que aquilo que acreditam ser patriarcado, seja o que de fato significa.

Contudo, o conceito mais adequado de uma estrutura familiar do AT se encontra num termo que é desconhecido pelo movimento feminista: “o patricentrismo”.

É nesta expressão que vemos melhor o que Deus estabeleceu na cultura do Antigo Israel no que tange ao modelo ideal de família. Daniel Block diz que o “patricentrismo reflete, de modo mais adequado, a disposição bíblica normativa em relação ao papel do cabeça da família em um lar em Israel” (BLOCK, “Marriage and Family in Ancient Israel”, p. 41). Podemos compreender que o pai assumia o centro da vida familiar, fazendo com que a comunidade fosse formada em torno dele e nele se caracterizasse em todos os aspectos.

Mesmo com o AT dando esta preeminência à figura paterna na vida familiar, o poder do pai nunca foi enfatizado. Em vez de agir como um ditador ou um déspota, nas famílias obedientes ao crivo da Escritura, o pai e o marido inspiravam segurança e confiabilidade sobre todos os seus componentes (Jó 29.12-17; Sl 68.5-6). O ponto não era em relação aos privilégios e poderes do pai, e sim sobre as responsabilidades relacionadas à sua liderança.

O pai possuía algumas responsabilidades essenciais. Block relaciona nove, mas destacarei quatro:

  • Instruir a família na tradições do êxodo e nas Escrituras;
  • Suprir as necessidades básicas da família: alimento, abrigo, roupas e descanso físico;
  • Defender a família de ameaças externas;
  • Preservar o bem-estar dos membros da família e a condução harmônica da unidade familiar.

(BLOCK, “Marriage and Family in Ancient Israel”, p. 47)

Poderíamos aprofundar mais o conceito bíblico do pai na família veterotestamentária, citando suas responsabilidades em relação à mulher, aos filhos homens e às filhas, mas vamos ficar por aqui. O mais importante é saber que o pai no AT é uma figura-sombra do Pai celestial, para demonstrar às nações que, quem estabeleceu a criação, também determinou o padrão correto de família. Ir contra a Bíblia é como dar um tiro no pé; é fazer uso de uma arma letal para a realizar a autodestruição da espécie humana.

(*Texto construído com o apoio do livro que estou lendo: KÖSTENBERGER, “Deus, casamento e família: reconstruindo o fundamento bíblico”, capítulo 5 – Editora Vida Nova)



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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