Por uma CPI da Igreja!

Não é mais possível ver tantos e sucessivos escândalos envolvendo o nome de cristãos e igrejas no Brasil.


Por uma CPI da Igreja!

A sigla CPI é bastante conhecida no meio político. Significa Comissão Parlamentar de Inquérito. Trata-se de um recurso usado para fazer investigações aprofundadas quando algo não está bem explicado ou há indícios de desvios de finalidade. Em geral, produz um relatório e as medidas cabíveis são tomadas, seja através de responsabilização ou mesmo a prisão dos envolvidos.

Como estamos no Brasil, é comum ouvirmos que determinada investigação desse tipo “não deu em nada”. Porém, eu queria propor um exercício. Olhando para o cenário de profundas mudanças que nosso país testemunhas, que tal fazermos uma profunda análise na situação da igreja? Queria propor uma CPI. Ela precisaria ser ampla, geral e irrestrita.



Confesso que a ideia não é minha, pois já li nos jornais que ímpios estão pressionando deputados para que investiguem o mau uso de dinheiro de dízimos e ofertas, usados para “outros fins”, não relacionados com a obra de Deus.

Para mim isso é uma vergonha, entretanto proponho outro tipo de CPI, uma Correção Para a Igreja. Não é mais possível ver tantos e sucessivos escândalos envolvendo o nome das igrejas no Brasil. Não que eu espere que um dia a mídia irá reconhecer os valorosos trabalhos realizados pelos evangélicos em prol da sociedade. Mas acredito que muito do que se vê na televisão hoje em dia nada tem a ver com o que Jesus nos mandou fazer.

Para fazermos essa análise profunda do que ocorre na igreja temos dois aliados. O primeiro é o Espírito Santo, que convence do pecado. Também possuímos as Escrituras, que oferecem com clareza o padrão de procedimento. A bem da verdade, ao propor uma CPI falo figurativamente, na tentativa de gerar em cada um de nós uma reflexão. Afinal, a Igreja de Jesus é uma só. O comércio que vemos por aí, não é igreja, simples assim.



Pois é muito fácil olharmos os problemas externos e apontarmos soluções e necessidades de mudança. Tudo isso é bom, contudo não podemos esquecer que essa Correção Para a Igreja passa, obrigatoriamente, por outra CPI (Correção para o Indivíduo). Não é possível olharmos para a igreja sem olharmos antes para nós mesmos. O apóstolo Paulo nos lembra em 1 Coríntios 12: 26-27: “Desse modo, quando um membro sofre, todos os demais sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se regozijam com ele. Ora, vós sois o Corpo de Cristo, e cada pessoa entre vós, individualmente, é membro desse Corpo”.

Se a situação está complicada em nosso interior, será impossível que seja diferente no exterior, na porção visível da igreja de Cristo na terra. A primeira mensagem de Jesus aos seus discípulos foi “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 3:2). Esse é o primeiro passo a ser dado. Cada um de nós precisa ser lembrado que o Reino eterno é o que almejamos, para entrarmos lá não é necessário acumular riquezas materiais. É muito complicado vermos que parece ser essa a mensagem mais ouvida nos púlpitos.



Não há nada de errado em ver Deus prosperar os seus filhos ou um servo ser abençoado. Contudo, quando olhamos para a história, vemos que a Reforma Protestante, a qual deu origem ao movimento evangélico, tentava corrigir muitos dos erros doutrinários que hoje são ensinados em nossas igrejas.

Quero fazer um apelo para que façamos dois movimentos, não basta olhar para fora, apontar defeitos e cobrar mudanças. É preciso olhar para dentro, corrigirmos nossas atitudes e conformarmos nossa mente com a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16). Proponho uma CPI dupla já!

A Correção para o Igreja, sem esquecer da Correção para o Indivíduo. Que Deus nos ajude e dê o veredito final.



Neto Gregório

Neto Gregório

Vivo pela misericórdia, salvo pela graça. Editor do Gospel Prime.


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