Pregador personalista é um empecilho

“Quando somos personalistas, destruímos oportunidades de vermos Deus fazer obras muito maiores”


Pregador personalista é um empecilho

Pedro e João, depois de terem, através do poder de Deus, curado um homem coxo que vivia mendigando à porta do templo, começaram a ser vistos com olhos de admiração. Conforme o texto de Atos 23.12, Pedro, ao perceber esse tipo de olhar das pessoas, logo disse: “… Porque olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar a este homem?”. A pergunta de Pedro demonstra que, de imediato, ele rechaçou a possibilidade de se criar através daquele milagre, um personalismo para com eles, coisa que, infelizmente, tem ocorrido muito em nossos dias.

O personalismo é uma expressão utilizada para se referir a uma pessoa, grupo ou entidade que promove ações e busca se locupletar da fama advindo do que fez e/ou faz. Ao evitar o personalismo, Pedro e João –– digo João, também, pois este poderia impedir que Pedro desse continuidade à sua fala rechaçadora –– estavam evitando que o item arrependimento de pecados fossem tirados da pauta de suas pregações. E isto fica provado sete versículos depois, quando o apostolo diz, em alto e bom som, que as pessoas ali presentes deveriam se arrepender dos seus pecados.

O milagre não foi pretexto para a divulgação do ministério apostólico de ambos, se quer o foi para anunciar o surgimento de uma denominação, mas passou a ser ocasião para evidenciar o poder de Cristo tanto para curar quanto para perdoar pecados e salvar as pessoas. Hoje em dia, como se vê em muitos lugares por aí, os milagres são pretextos para arrecadação financeira, superlotação de templos, evidenciarem nomes de pastores e pregadores, mas nunca para evidenciarem a cristo e a necessidade de o homem reconhecer-se pecador para ser salvo por meio da fé em sua obra vicária.

O personalismo, além de fazer mal a quem fez dele usufruto, prejudica estraga oportunidades que poderiam levar as pessoas a uma profunda reflexão sobre a existência do sobrenatural e do fato de que melhor do que milagres ou ter virtude sendo usada é receber o Cristo ressurreto para ter garantia de vida eterna. Portanto, o personalismo retira Jesus e a necessidade de arrependimento de qualquer esboço de pregação. Quando a relação ouvinte/pregador passa a estar somente no campo humano, o emissor de mensagem, para garantir sua fama, sua hegemonia, não pode atacar a natureza concupiscente de quem o ouve, pois vai perder o engamento de seus seguidores.

Pedro disse para aqueles que o ouviam, conforme se lê nos versículos 13 e 14, que eles haviam preterido Jesus, o salvador, em detrimento de Barrabás, um homicida. Se Pedro lhe tivesse dito tal “afronta” sem que a parte emocional tivesse sido preparada  pelo evento miraculoso, a reação das pessoas seria de racionalizar o pecado, inventar desculpas e rechaçar o pregador. Ou seja, Pedro aproveitou a oportunidade criada para poder sair dali, não somente com uma cura, mas com uma multidão de quase cinco mil conversos (Jo 4.4).Pregadores personalistas são um empecilho porque não convertem pessoas do pecado, mas atrai fãs seus para o meio religioso.  Quando somos personalistas, destruímos oportunidades de vermos Deus fazer obras muito maiores.



Fernando Pereira

Fernando Pereira

Jornalista e acadêmico dos cursos de História e de Teologia.


Deixe seu comentário!