MENU

Professores de um grande Mestre (1° Parte)

Por conta dos baixos salários o número de jovens recém-saídos do Ensino Médio que decidem se tornar professores caiu 58%...


Por conta dos baixos salários o número de jovens recém-saídos do Ensino Médio que decidem se tornar professores caiu 58% desde 2011.[1] Você talvez tenha concluído que já que os poucos que escolhem a docência não priorizam o financeiro, mas a vocação, realizam as suas atribuições com excelência, certo? Errado, pois muitos não sabem ao certo porque são professores.

Enfrentamos hoje uma crise em nosso sistema educacional, pois boa parte dos professores pensa que a tarefa do mestre se resume em transmitir conhecimento e nada mais. A consequência disso é que muitos alunos por serem tratados como meros receptores de informação, não encontram relevância no que estudam e por isso não aprendem. Se não aprendem são reprovados por punição ou simplesmente aprovados por omissão.

Vivemos, em nossas igrejas, uma crise semelhante a enfrentada pelas instituições de ensino. Poucos são aqueles que querem dedicar tempo no ensino das escrituras aos novos crentes e os poucos professores pensam que discipular é simplesmente transmitir os ensinos de Cristo. 

O resultado disso é a falta de maturidade espiritual de muitos cristãos que, mesmo depois de anos como membros de uma igreja, vivem como crianças na fé. Além disso muitos são os seguidores, mas poucos os imitadores  de Cristo.

Precisamos reverter esse mal que tanto tem prejudicado as nossas igrejas, mas para isso nossos professores precisam entender qual é papel de um professor segundo a Bíblia.

Em II Timóteo 2.2 Paulo pede para Timóteo preparar professores que ensinem o evangelho de Cristo com o foco em duas características indispensáveis que irei destacar aqui.

Os professores de Cristo são fieis ao ensino do evangelho

Quem é ou foi o seu professor (a) favorito? Já se perguntou por qual motivo essa pessoa, entre tantas outras, se destacou em sua vida. Provavelmente ele (a) foi alguém que te ajudou a desejar conhecer o desconhecido. Alguém que investiu em sua vida sem nada esperar em troca. Uma pessoa dirigida por uma missão. Mas que missão é essa?

Segundo Rubem Alves: “A missão do professor não é dar respostas prontas. As respostas estão nos livros, estão na internet. A missão do professor é provocar a inteligência, é provocar o espanto, é provocar a curiosidade.”

O verdadeiro professor é aquele que conhece a sua missão de criar no aluno o desejo de aprender, mas conhecer o seu papel não é suficiente. Paulo deixa claro que é preciso conhecer e se manter fiel essa missão.

A fidelidade, de forma generalizada, é a capacidade de permanecer firme a missão, mesmo em face às pressões da conveniência. Ou seja, é  muito fácil despejar sobre o aluno uma infinidade de informações na expectativa de que ele aprenda algo, mas isso por si só não basta. Ainda que seja mais conveniente para o professor dizer que o aluno não aprendeu e logo lavar as mãos e infidelidade. O fiel professor luta com fidelidade para que o seu aluno aprenda.

O professor deve ter em mente que para se conhecer o novo é necessário um esforço mental e às vezes físico. Por isso o aluno irá, na maioria das vezes, se manter na zona de conforto. Na mente do aluno é mais cômodo saber o que já se sabe do que ter que se arriscar em conhecer o desconhecido. A questão é que, ainda que exista um longo caminho que exija esforço entre o conhecido e o desconhecido, o papel do professor é o de servir como ponte que leva o aprendiz com facilidade para o outro lado.

E assim desde que nascemos, pois quando estamos aprendendo a andar as quedas nos causam dores e a vontade natural é a de continuar a engatinhar. Porém com o auxílio de nossos pais ou responsáveis continuamos tentando até aprender. Caímos nos levantamos e logo aprendemos a andar para nunca mais desejar engatinhar.

O verdadeiro mestre não pode se contentar com o fato de que um aluno tomou conhecimento de algo, mas não aprendeu coisa alguma com aquilo. O professor visa transformar o seu aluno.

Jesus, o nosso grande mestre, veio justamente ao mundo para nos despertar o desejo de conhecer o evangelho. Ou seja, os ensinos de Cristo que quando proclamados com fidelidade transformam as pessoas, pois é o poder de Deus para a salvação.

Essa verdade foi o que levou um grupo de doze alunos de Jesus a mudarem o mundo. Essa é agora a nossa missão também. Temos hoje a obrigação de ensinar os crentes mais novos, nos colocando à disposição do Espírito Santo como fieis professores do grande Mestre Jesus Cristo.

Claro que alguns alunos demonstrarão desinteresse, desrespeito ou mesmo dificuldade em aprender, mas jamais podemos desistir de nossos alunos. Jesus deu esse exemplo enquanto passou três anos ensinando. Em sua presciência sabia que Judas não aprenderia ao ponto de praticar o que aprendeu, mas em momento algum Jesus abandonou até o seu pior aluno. Foi fiel a missão de ensinar.

Como você tem ensinado? Você é um transmissor de informações que desiste com facilidade de seus alunos que aparentemente não aprendem ou alguém com a missão de fazer com que os alunos absorvam o conteúdo se desistir da missão?

Os professores de Cristo são idôneos a prática do evangelho

Mesmo que você seja um professor fiel a missão de ensinar deve se preocupar com outra qualidade também. Paulo diz a Timóteo que além de fiel ele deveria buscar professores idôneos. Mas o que isso quer dizer?

A palavra “professor” vem de “professar” que pode ser entendido como a declaração publica de uma convicção ou um compromisso de conduta. Ambos os sentidos estão ligados a idoneidade já que aquele que ensina expõe suas convicções e as expões por meio de uma boa conduta.

Certa vez o missionário E. Stanley Jones encontrou-se com Gandhi na Índia, e perguntou: “Senhor Gandhi, apesar do senhor sempre citar as palavras do Cristo, por que é tão inflexível e sempre rejeita torna-se seu seguidor?”. Gandhi respondeu: “Eu não rejeito seu Cristo. Eu amo seu Cristo. Apenas creio que muitos de vocês cristãos são bem diferentes do vosso Cristo”.

Um professor jamais pode utilizar aquela frase que diz: “Faz o que digo, mas não faças o que eu faço”, pois a isso chamamos de falso moralismo ou hipocrisia. É essencial no processo de discipulado e ensino o exemplo prático.

Jesus ensinava com uma autoridade por ser a própria encarnação da verdade, o autor mostra como Jesus acreditava no que ensinava, pois vivia o que ensinava inspirando confiança naquilo que dizia.

O professor deve ter uma conduta irrepreensível, livre de pecado, imoralidade, sem mancha e sem culpa diante de Deus. Ou seja, viver o que ensina, caso contrário deveria ser considerado como um falso mestre.

Falsos mestres não somente ensinavam coisas erradas como também tinham uma vida cheia de vícios e imoralidade. Em virtude dos falsos ensinamentos que se espalhavam nas igrejas Paulo enfatiza a necessidade de ensinar a sã doutrina como um tesouro precioso que não pode ser entregue a qualquer um.

Em II Timóteo 1.14 Paulo diz: “Tome como modelo os ensinamentos verdadeiros que eu lhe dei e fique firme na fé e no amor que temos por estarmos unidos com Cristo Jesus. Por meio do poder do Espírito Santo, que vive em nós, guarde esse precioso tesouro que foi entregue a você”. O ensino para Paulo era algo valioso e precioso, assim deveria ser confiado aos cuidados de homens de confiança.

Confiar algo precioso como um bem, tesouro, dinheiro ou até mesmo um segrego é algo que fazemos somente com aqueles a quem realmente confiamos, com pessoas idôneas. Não deixamos qualquer um cuidar daquilo que temos como tesouro.

Você deixaria uma pessoa que não se dedicou ao estudo da medicina realizar uma cirurgia em sua mãe ou em você, mesmo? Você deixaria o seu filho aos cuidados de um professor que tem Hitler como herói? Claro que não, pois sabemos que estas pessoas não são dignas de confiança, para desempenharem as suas funções.

Pedro e Judas foram ensinados por Jesus e ambos o traíram. Judas se enforcou, mas Pedro continuou vivo para ensinar outros as verdades do evangelho. Além disso, segundo a tradição da igreja, morreu crucificado como o seu mestre. Pedro foi idôneo em sua missão em professar as suas convicções por meio de ações.

Como as suas convicções são professadas? Você crê que os ensinos da Bíblia são como um tesouro? Você se considera uma pessoa preocupada com o que as pessoas estão aprendendo em sua volta?  Vamos gerar homens fieis e idôneos segundo a nossa semelhança se assim também formos.

Conclusão

Quando Jesus chegou ao Céu, depois de Seu ministério na Terra, um dos anjos Lhe perguntou: “Qual é o Seu plano para dar continuidade à obra que o Senhor começou na Terra?”. Sem vacilar, Jesus respondeu: “Deixei tudo nas mãos dos apóstolos”. Outro anjo perguntou: “O que vai acontecer se eles falharem?”. Novamente, sem vacilar: “Não tenho outro plano”.

Ainda que muitos não queiram assumir as suas responsabilidades em discipular os novos na fé, não existe outra opção. Devemos cumprir a grande missão de repassar os ensinos bíblicos com fidelidade e idoneidade para que no dia do julgamento venhamos a ser considerados professores do grande mestre Jesus Cristo.

Nota:

[1] http://www.cartacapital.com.br/educacao/quem-quer-ser-professor



Alessandro Brito

Alessandro Brito

Alessandro Miranda Brito, casado, 33 anos de idade, bacharel em Teologia, plantador de igrejas da Co-Mission Church Planting Network.


Deixe seu comentário!