Quando o líder cai

Todo pecado, por menor que possa parecer (uma cola de prova, por exemplo), coloca-nos debaixo da maldição da lei. Assim,...


Todo pecado, por menor que possa parecer (uma cola de prova, por exemplo), coloca-nos debaixo da maldição da lei. Assim, neste sentido, não há “pecadinho” e “pecadão”: todos pecamos e todos estamos debaixo da Ira de Deus (Gl 3:10).



Entretanto, a Bíblia também é clara ao dizer que, embora todos os pecados sejam odiosos a Deus, há pecados abomináveis a Deus. Pecados que, aos olhos dEle, são totalmente repulsivos.

Tais pecados recebiam uma punição muito mais severa do que outros no Antigo Testamento. Estou falando, por exemplo, do adultério e do homicídio, que eram punidos com a morte (Lv 20.10; Lv 24.17; Êx 21.14). E, mesmo no Novo Testamento, Jesus diz que há um pecado imperdoável: a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt 12:31).


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À parte da breve exposição acima, há o fato de que existem pecados cujas consequências sociais são evidentes, atingindo não somente o pecador, mas também as pessoas ao seu redor.



O pecado do adultério encaixa-se em tudo o que foi dito até agora: é um pecado odioso (como todo pecado), é um pecado abominável (cuja punição era a morte) e, finalmente, suas consequências sociais são desastrosas para muitas famílias e igrejas.

A pergunta que ouso fazer é a seguinte: e se eu e você cairmos em adultério? Não é possível?! Por acaso somos melhores que o Rei Davi? Eu não sou. Aliás, sinceramente, estou plenamente convencido de que sou pior do que o Rei Davi em muitos sentidos, então, por que deveria enganar-me e usar uma máscara de supercrente?



Acredito que eu e você precisamos ensinar a Igreja não só a prevenir a tragédia do adultério, mas que também é possível a esperança da ressurreição.

Eu não aprendo com o Rei Davi apenas como “ele cavou a própria cova”, mas de que maneira foi possível Deus não retirar dele a coroa da glória, mesmo depois de todos os crimes que cometeu.

O problema é que pecados sexuais dentro de nossas igrejas trazem tanto dano que, dificilmente, por várias razões mundanas, egoístas e farisaicas, não estendemos nossas mãos para resgatar o ministério de nossos líderes.

Parece mesmo que com uma igreja hipócrita como a que temos encontrado muitas vezes no Brasil, basta ao diabo preparar a armadilha para derrubar o líder, porque, uma vez caído, mantê-lo no chão será um trabalho que a própria Igreja fará tranquilamente por Satanás.

O que fazer quando um líder cai? Precisamos chorar com nossos líderes que tanto nos alimentaram. São pastores que precisam de pastoreio; são conselheiros que necessitam de conselhos; e médicos que precisam de nossa assistência.

É com profunda tristeza, contudo, que constatamos, frequentemente, ser um malévolo sorriso de “bem feito” ou uma cara de “eu sabia” o que muitos oferecem ao invés de mãos estendidas.

O líder, ainda que perdoado por Deus, poderá não ser perdoado por muitas pessoas e poderá pagar um preço altíssimo com a estigmatização de sua própria família. Todas essas consequências estão muito bem registradas na história do Rei Davi para que o temor aja como prevenção à nossa loucura (Pv 5).

Surpreendentemente, Davi não perdeu a coroa como aconteceu com o Rei Saul. Havendo arrependimento sincero, por que a Igreja não consegue dar ao mundo um testemunho cristão pela maneira como trata, perdoa e restaura suas lideranças depois da queda?

Ensino 6: O líder precisa ser liderado, precisa ser acompanhado na sua caminhada por outro líder, tanto para ajuda-lo na prevenção de certos erros como na restauração real de seus pecados.

Leia também o 6º artigo desta série: “Moisés, o líder no deserto“.



Fábio Ribas

Fábio Ribas

Pastor da IPB e missionário da APMT entre povos indígenas do Brasil. Graduado em Letras e em Teologia e pós-graduado em Filosofia e Existência. Atua como professor em cursos de formação transcultural. Casado e pai de duas filhas.


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