Quando o temor encontra o amor na busca pelo Senhor

Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará...


Quando o temor encontra o amor na busca pelo Senhor

O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento… Pv 1.7

Este clássico da literatura cristã contém um segredo pouco observado e, portanto, pouco vivido acerca deste sentimento envolvido no relacionamento entre o homem e seu Criador: a transitoriedade.

A palavra princípio tem variados conceitos e utilizações. As mais utilizadas pelos cristãos são duas:

  • Começo, início, primeiro momento da existência de algo; e
  • Ditame moral, regra, lei, preceito.

O que a maioria dos cristãos não sabe é que no texto citado acima, Salomão usa a expressão em hebraico bereshit, que significa princípio no sentido de início/começo, a mesma expressão utilizada em Gênesis 1.1 por ocasião da origem das coisas.

Logo, o texto então nos revela que o temor do Senhor é apenas o começo de um sentimento para com Deus, e não uma norma, regra ou lei, como muitos de nós imagina. E se é apenas um “start”, então precisa ser desenvolvido até chegar a algum outro sentimento mais elevado e sublime.

Bom, isso faz todo sentido quando nos lembramos das palavras do profeta Oséias, quando diz “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (6.3), deixando em suas palavras a atmosfera de um relacionamento a ser desenvolvido.

Mas qual sentimento seria então o ideal a ser alcançado? Qual sentimento seria mais sublime e elevado que o temor dentro do relacionamento com Deus? Poderia viver o homem este relacionamento sem o temor?

Sim, caro leitor! Vamos descobrir este ideal de sentimento nas palavras do amigo de Jesus, o apóstolo João:

No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. 1 João 4.18

No português vamos encontrar várias definições para o mesmo sentimento, como temor, medo e receio. Já no grego todas estas palavras estão contidas em uma só: fobos.

E esta correta interpretação nos traz novo sentido então a nosso relacionamento com o Pai, nos fazendo entender que, sim, o temor é um sentimento bom, pois limita nossos comportamentos na prática do mal, no entanto ainda não é o ideal, pois quem teme, traz consigo a punição e ainda não foi aperfeiçoado em amor.

O que João quis dizer?

No verso anterior (17), João está falando em seu contexto sobre confiança no Dia do Juízo. Logo, está abordando sentimentos que envolvem comportamentos que possam afetar neste Dia. Aprendemos então que quando eu faço ou deixo de fazer algo pelo temor, estou pensado em mim, pois não quero ser punido. É um sentimento egoísta. Mas quando eu faço ou deixo de fazer algo por amor, não penso mais em mim, mas penso no Pai, com o objetivo de agradá-lo, cumprindo assim seus mandamentos a meu respeito, que é, em verdade, a forma que ele estabeleceu de como nós devemos amá-lo (Jo 14.23).

Mas alguém pode dizer: “ah amigo, tanto faz não mentir, quer seja por temor ou quer seja por amor”. Será mesmo?

Vamos imaginar um casal que está a celebrar seu aniversário de casamento. Ele não liga para datas, mas ela faz questão disto como um pássaro faz questão de voar. Ele sabe que, caso se esqueça da data e não comemore com ela, imediatamente ela responderá punindo-o, passando dias sem falar com ele e sem permitir que a vida a dois seja como nos dias normais. Então ele pensa: “meu Deus, amanhã é nosso aniversário de casamento e se eu não fizer nada a coisa vai ficar feia pro meu lado”.

Este homem prepara tudo. Café da manhã na cama, flores, uma linda joia, música romântica e “pah”, ele a acorda bem cedo para juntos celebrarem a data.

Ela certamente ficará muito feliz. Talvez até derrame lágrimas de emoção e felicidade por tanto carinho e capricho. Mas aí eu pergunto a você: e se ela pudesse perscrutar o coração dele naquele momento de alegria, e enxergar qual o sentimento que o motivou a fazer tudo aquilo? Ela continuaria feliz ou ficaria frustrada por ver que ele fez tudo pensando em si mesmo e não na alegria dela?

Certamente seu semblante cairia e o clima seria quebrado.

Pois é, é disso que João está falando. Imaginar o contrário é extremamente relevante.

Imagine a mesma cena, mas agora este homem fazendo por amor, pensando tão somente em agradar sua amada e vê-la feliz. A cena não mudaria, seria a mesma. Mas se ela pudesse ver seu coração e enxergar o sentimento sublime que o motivou, sua alegria seria potencializada.

Alguém também pode dizer: “ah pastor Douglass, impossível viver sem o temor, pois a Bíblia diz que na alma de cada irmão da igreja primitiva havia pleno temor” (Atos 2.43). Verdade, mas a igreja estava apenas COMEÇANDO, eram seus primeiros dias. Logo, não se pode esperar que os primeiros irmãos já estivessem aperfeiçoados, visto que é uma vida de relacionamento (e o tempo) que trará este desenvolvimento aos sentimentos para com Deus. Doutra sorte, Paulo também deixou claro que “aquele que em vós começou a boa obra a APERFEIÇOARÁ até ao dia de Jesus Cristo” Fp 1.6

Não tenho dúvida que o Pai espere isto de nós: O AMOR. Afinal de contas é o primeiro mandamento de Jesus a nós. Que sejamos então aperfeiçoados em amor ao ponto de este sublime sentimento lançar fora o temor e parar de promover em nós, comportamentos egoístas e que apenas pense na punição.

Observe que quem lança fora o temor é o AMOR e não o homem. Hoje temos visto uma onda avassaladora de pessoas na igreja que vivem totalmente sem temor, que é o mínimo esperado. Como consequência, cometem todo tipo de pecado, voluntariamente, e ainda cantam louvores, chorando e declarando: “eu te amo Senhor”. Não dá pra entender esse ambiente. É incoerente, ao compararmos com as escrituras, que expressa claramente a vontade do Senhor para nós.

Que possamos atender a expectativa do Senhor a respeito de nossos sentimentos e comportamentos para que Ele, em tudo, seja glorificado. E também para que não venhamos correr o risco de trocar o temor do Senhor pela libertinagem e pela sagacidade do nosso egoísmo.

Concluo este artigo provocando você com as palavras de Deus através do profeta Oséias.

“Afinal, o que desejo é o VOSSO AMOR, e não sacrifícios; entendimento quanto à pessoa de Elohim, Deus, mais que ofertas e holocaustos” Os 6.6 (versão King James Atualizada)



Douglass Suckow

Douglass Suckow

Douglass Suckow 41 anos, é pastor na Igreja Metodista Wesleyana em Porto Velho-RO desde 2010. Casado com Luciana Neves, tem 03 filhos, Jade (18), Lucas (15) e Henrique (07). É escritor de revistas de Escola Bíblica para pré adolescentes pelo Centro de Publicações da Igreja Metodista Wesleyana (RJ). Estuda Teologia pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER) e é idealizador de um canal no Youtube: Pastor Douglass


Deixe seu comentário!