“Queermuseu”: Algo estranho demais para se ignorar

Paulo nos orienta a condenarmos as obras infrutuosas das trevas, e isso deveria ser considerado a vontade de Deus para nós, revelada por sua Palavra.


"Queermuseu": Algo estranho demais para se ignorar

O Estado dá 800 mil reais (dinheiro do povo) para que o Banco Santander produza uma exposição cultural que, traduzida para o português, significa “museu estranho”. Tal exposição levanta questões absolutamente essenciais à vida humana (modo irônico ativado): pedoafetividade, zooafetividade, homoafetividade e, como não poderia faltar, críticas que não passam de ofensas criativas ao cristianismo.

A gente sabe que este mundo está coberto de lama espiritual e isso não é novidade para ninguém. Sabemos que a pós-modernidade trouxe, em meio a tanta intelectualidade, um novo conceito cúltico que é o “culto à iniquidade”, onde faz-se necessário desconstruir tudo aquilo que se entende por valores morais majoritários numa sociedade civil organizada – e é o que temos estampado nos noticiários e nos murais das redes sociais.

A pergunta que faço não é sobre o que sabemos que existe na nossa cultura atual e sim sobre o que nós cristãos devemos fazer como indivíduos que pertencem a esta cultura: qual, portanto, deve ser o nosso posicionamento?

Eu já ouvi que as questões da sexualidade humana precisam deixar de ser um tabu na sociedade do século XXI. Já li que todo o império da moralidade judaico-cristã deve ser derribado. Já percebi muitos discursos relativistas morais em nome da “diversidade e da pluralidade”. Sinceramente, não me importo com nenhuma asseveração vinda de quem não crê no que creio e que portanto não possui os fundamentos hermenêuticos e críticos que possuo, mas me incomodo com a falta de postura de alguns irmãos que, de alguma forma, tentam tornar menor uma pauta de discussão que já foi espargida na opinião pública e que exige de todos uma postura profética e um posicionamento sério, bíblico e puramente cristão.

Se eu disser que temos problemas maiores para nos ocupar em resolver não estaria falando besteira. A pobreza extrema e a desigualdade social no Brasil é algo mais urgente. No entanto, se eu fizer vista grossa a toda produção artística que ofende gratuita e arbitrariamente o cristianismo, estarei sendo um cúmplice das obras das trevas, o que me fará cair numa sentença do evangelho:

(…) e não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso. Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz. (Efésios 5.11-13)

Paulo é sintético quando nos orienta a condenarmos as obras infrutuosas das trevas, e isso deveria ser considerado a vontade de Deus para nós, revelada por sua Palavra. Quando um artista provoca uma discussão religiosa, o faz no seu direito à liberdade de expressão; porém, até o artista precisa saber que há uma lei acima dele e que a sua liberdade finda quando fere a liberdade do outro. Se eu não posso aviltar a liberdade do outro, o outro também não pode aviltar a minha liberdade.

Não dá para, de forma simplista, ignorar as realidades concretas do espírito coletivo humano. O Brasil é plural, diverso e democrático. Então, o que vai ser levado em conta sempre será aquilo que é de costume comum da maioria; caso contrário, sempre teremos problemas. Se um artista quiser, pela sua arte, apresentar uma tese de que os costumes de uma minoria são mais coerentes e legítimos do que os da maioria, este artista sempre terá problemas. E o ponto vai além da batalha entre conceitos de moralidade e estética – a questão maior é que tipo de sociedade estamos construindo para a geração seguinte.

Geralmente, estes artistas não possuem nenhum equilíbrio e saúde existencial em suas famílias, relacionamentos, espiritualidade e sexualidade (e são curiosamente as coisas que eles procuram afetar com suas obras). E ver cristãos achando que não devem se contrapor a estes ataques quase que velados contra o próprio objeto de sua crença e valor, me causa um sentimento de repulsa misturado a uma preocupação com os rumos da cristianização brasileira.

Eu não estou no mundo apenas para ajudar as pessoas a viver melhor. Por ser missional, faço algo que possa ser chamado de filantropia, mas isso não me constitui num filantropo. A minha missão é maior; estou no mundo para afirmar que só há vida em Cristo.

Nós, cristãos verdadeiros, estamos no mundo para nos contrapor a tudo que se levanta contra o senhorio de Cristo e o avanço do seu reino. Estamos aqui para viver e proclamar a santidade não utópica mas real no poder do Espírito Santo, e que pessoas de diversas classes e esferas sociais estão sendo conclamadas a se arrependerem dos seus pecados e crerem em Jesus Cristo, confiando nele para a salvação. Por isso me assusta ver que irmãos meus, por conveniências ideológicas, políticas e outras mais, se calam num momento como este.

Oro para que as pessoas façam algo mais do que boicotar o Banco Santander; oro para que elas não se permitam ser desconstruídas pelo mal, e que os nossos irmãos não participem (por conivência) das obras das trevas, mas que as condenem e censurem sem o menor medo de serem perseguidos. Pois ainda estamos aqui para conflitar o sistema caído e ainda somos os representantes daquele que disse “EU SOU A VERDADE”.

No dia em que a verdade for negociada para que o mundo nos aceite, já teremos apostatado – e aí poderemos nos unir aos sacerdotes da relativização e da responsabilidade profética que fazem a vergonha de dizer: “vai quem quer!”.



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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