Rotule depois de ler!

O vício de comentar antes mesmo de ler.


Recentemente postei em minha rede social um texto de uma colunista de um famoso jornal de nosso país e marquei algumas pessoas nos comentários por ter achado o texto interessante e abrangente. Como gostei muito do que foi escrito, comentei: Aplausos!

Uma pessoa então comentou: “essa colunista é esquerdista então cansa, nem merece tantos aplausos assim (parafraseado). ” E aquilo me encasquetou, rs. Quando li o texto, não vi de quem era, li porque o título me interessou e a fonte era confiável e compartilhei, pois houve uma empatia com o conteúdo e that’s all (simples assim).



Quem comentou é uma pessoa que trabalha comigo no mundo midiático e é muito competente no que faz e comentários são comentários e viva a diversidade de pensamentos. A certeza de que a pessoa realmente leu na íntegra o conteúdo é o que acaba aumentando a credibilidade do comentário.

Isso me levou a refletir sobre a o comportamento midiático pós moderno que temos vivido e pontuei então alguns fatores interessantes na mídia virtual que consumimos atualmente.

O vício de comentar antes mesmo de ler.

A maioria das pessoas está tão viciada em comentar algo que ao lerem 2 linhas de qualquer coisa já disparam alguma opinião pré-formada ou manipulada. Você não percebe isso tão latente em redes como Twitter, Instagram ou WhatsApp, mas o Facebook parece que já tem um clima palpiteiro e de discórdia no ar que gera brigas sem fim ou com finais de amizades que foram abaladas porque um quer estar mais certo que o outro politicamente, religiosamente etc…. qualquer comentário sobre amenidades tem se tornado um verdadeiro embate pessoal.



A imprensa dá risada desse mundo virtual tão fácil de manipular onde temos sido verdadeiras marionetes que absorvem e replicam informações duvidosas sem checar a veracidade do fato e que infelizmente tem aceitado um jornalismo de qualidade cada vez mais inferior e ofensivo a própria língua portuguesa e intelecto de seu povo.

#ficaadica 1: perca o vício de ter um comentário sobre tudo sem ler na íntegra qualquer tipo de leitura. Naturalmente já temos uma opinião pré-formada devido há muitas influências positivas ou negativas. Reaprenda como uma criança a ser uma esponja, retenha o que é bom e o que não for jogue fora. Verifique sempre a fonte da informação e evite sair papagaiando por aí notícias falsas e já que é para ler e comentar leia 100% daquele conteúdo para não pagar mico com comentários superficiais.

A proximidade virtual e o ‘direito’ que isso me dá de criticar o próximo.

As redes sociais proporcionam uma suposta proximidade nas pessoas, principalmente entre celebridades e reles mortais como eu e você, que infelizmente tem gerado situações constrangedoras.

Nos EUA existe um programa de entrevistas que semanalmente seleciona algumas celebridades para lerem comentários cruéis sobre elas no Twitter (há vídeos no Youtube disponíveis e legendados para vocês conferirem), e quando você vê a pessoa alvo da ofensa lendo aquilo, você pode pensar que realmente quem escreveu aquilo não tinha noção que a celebridade realmente leria e ficaria abalada por tal comentário ou que realmente há muita raiva propagada na internet sem motivo aparente.

Darei um exemplo prático: Eu por exemplo não curto o estilo do Silas Malafaia (uso ele como exemplo por sua grande exposição na mídia), para mim a forma como ele se expressa entre gritos e vocabulário exagerado me faz o repudiar em vez de me atrair a linha de pensamento dele. Isso não me dá o direito de sair por aí o denegrindo, ofendendo etc. Isso acontece da mesma forma com outras pessoas que gostam do estilo dele e não se identificam com pregadores que sinto afinidade por exemplo.

Eu sou do tipo de pessoa que relevo opiniões de pessoas que me importam ou que conheço pessoalmente ou que sabem discernir o que é comentar sobre um assunto sem apelar ou partir para o lado pessoal. Em alguns artigos que já escrevi já me ofenderam pessoalmente sem ao menos me conhecerem me rotulando pelo conteúdo que escrevi pois o mesmo não havia agradado a quem leu. Se eu fosse considerar esse tipo de opinião eu sentaria, choraria e nunca usaria do dom que Deus me deu que é escrever sobre o que observo ao meu redor.

A questão é sempre estar aberto a críticas construtivas e bem fundamentadas, afinal ninguém é perfeito e entender que se eu me exponho num mundo virtual, sim terei que dar a outra face e ser madura e equilibrada a ponto de entender que textos são opiniões das pessoas e não o que elas exatamente são no mundo real ou na sua integralidade.

Criar um filtro anti ofensa é um must have para prosseguir e saber que comentários não definem quem nós somos e que curtidas são tão superficiais quanto falsos bom dias no elevador.

#ficaadica 2: mais amor por favor e menos dedinhos vorazes em destilar veneno. A palavra mansa acalma a ira e comentários sensatos, equilibrados e críticos com intuito de edificar e não humilhar ou ofender são sempre bem-vindos. Discordar # ofender.

Que tipo de leitores somos?

Estatísticas de órgãos internacionais e nacionais dizem que o brasileiro lê em média 1 livro completo por ano. Dados apontam que quase 10% de nossa nação é analfabeta ou iletrada, que cerca de 80% são considerados analfabetos funcionais – pessoas que retém no máximo até 50% do que leem… resumindo, nos sobra 10% ou pouco mais de 20 milhões de pessoas em nossa nação que compreendem 100% de tudo que lhes é exposto pela mídia, literatura, arte e que de acordo com sua formação educacional, societária, religiosa, financeira e cultural criam suas interpretações e influenciam os outros 90%.

A tecnologia nos auxilia em sermos mais informados, porém a sermos menos exigentes e também cada vez mais impacientes.

Exemplo prático: tenho um canal de vídeos reflexivos no Youtube chamado Juntos mudando o mundo. Cada vídeo que faço tem uma média de 10 minutos. O próprio Youtube tem uma ferramenta chamada analytics que mostra quantas visualizações cada vídeo tem, a origem delas, perfil do público e tempo médio da visualização das pessoas. Segundo essa ferramenta, a média de tempo de visualização do público que acompanha o canal é de 3mins e 40segs, ou seja, menos de 50% da duração de cada conteúdo.

Lógico que essa média é tirada entre pessoas que assistiram 10 segundos de 1 vídeo as que o assistiram em sua totalidade, porém essa estatística me faz pressupor que alguns comentários feitos nos mesmos são baseados mais numa pré opinião já formada do que na adaptação da mesma pós absorção do conteúdo.

#Ficaadica 3: assistimos trilogias cinematográficas de longas horas, novelas e séries de pelo menos 30 minutos de duração e queremos conteúdos informativos sobre a realidade mastigados e digeridos. Estamos cada vez mais dispersos e com uma retenção de atenção menor do que a de 1 criança na 2ª infância que tem capacidade de foco de 15 a 30 minutos em algo.

Parecemos estar com comichão nos ouvidos assim como a palavra de Deus diz em Timóteo e consequentemente acabamos padecendo por falta de conhecimento.

“Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir.Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para dar atenção às lendas. Mas você, seja moderado em todas as situações. Suporte o sofrimento, faça o trabalho de um pregador do evangelho e cumpra bem o seu dever de servo de Deus.II Timóteo 4. 3-5

Podemos reverter esse quadro retomando hábitos que tínhamos de mais leitura, concentração, objetivos como análise de texto em nossas provas escolares, praticarmos exercícios de leitura indutiva da palavra. Orarmos, respirarmos e lermos algo até rapidamente, porém concentrados naquilo que está em nossas mãos para que não ajamos como porcos comendo pérolas. A palavra de Deus, a expressão artística, cultural e pessoal da mesma são as maiores riquezas que temos e podemos usar para influenciar o mundo.



Carla Stracke

Carla Stracke

Missionária, Intercessora, escritora, tradutora, professora e comerciante. Tudo para a glória de Deus e com intenso desejo de ajudar a transformar mentes e corações.


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