Santa Ceia

Gênesis 2:22-24 “E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E...


Gênesis 2:22-24 “E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Todos sabem muito bem como ocorreu a Criação da mulher. Como é dito claramente no texto, da costela de Adão Deus formou a mulher e, logo depois, instituiu o casamento. Uma coisa interessante é que quando Adão disse que o homem deixará seus pais para unir-se a sua mulher para ambos serem UMA CARNE, ele estava concluindo sua argumentação de que isso ocorreu (ambos se tornarem uma só carne) porque Eva havia sido retirada de seus ossos e de sua carne. Então, observamos que essa união ocorreu porque, de fato, houve um “sacrifício” da parte de alguém. Quando digo sacrifício, não me refiro somente ao ato de alguém morrer no lugar de outro, mas ao fato de que houve uma retirada da parte do corpo de Adão, para que, assim, a mulher fosse formada. Para que nosso leitor possa entender, gostaria de dar um exemplo.



Digamos que fulano e fulana estavam em um carro. Este carro capotou e ambos ficaram presos nas ferragens. Para que fulano e fulana se salvassem, era necessário SACRIFICAR a perna de fulano. Por esse motivo, os bombeiros arrancaram a perna de fulano e conseguiram salvá-los. E assim também foi com Adão. Claro, não da mesma forma que ocorreu com fulano, mas a premissa é a mesma. Adão teve sua costela sacrificada por Deus para que o homem viesse a entender (como Adão de fato entendeu) que sua unidade com a mulher existia porque ela veio de sua própria carne. Neste momento nossos leitores devem está se perguntando: ora, o que isso tem a ver com o tema? O que todas essas palavras têm haver com a Santa Ceia? É sobre isso que iremos tratar agora. Que Deus venha abrir o nosso entendimento para entendermos essa Verdade tão magnífica.

Iniciativa Divina

Quando observamos a Criação da mulher, vemos que foi iniciativa do próprio Deus. O Eterno fez Adão cair em um sono profundo, para, então, tomar sua costela e formar a mulher (Gênesis 2:21). Da mesma forma que Deus tomou a iniciativa, e SACRIFICOU a costela de Adão, Ele sacrificou Seu único Filho.

As Escrituras nos ensinam que a iniciativa de Sacrificar Seu Filho foi de Deus: Isaías 53:10: “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.”; João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”; I João 4:9 “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.”, entre outros.



Ou seja, vemos que a iniciativa da vinda de Cristo foi do próprio Deus, assim como na instituição do casamento.

Igreja de Cristo

Afinal, o que é a Igreja? Em I Coríntios 6:15 é dito: “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e fá-los-ei membros de uma meretriz? Não, por certo.”, em I Coríntios 12:27 “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.” A Igreja é o corpo de Cristo. A Igreja só existe porque Cristo É.



É interessante notarmos que a relação de Cristo com a Igreja ocorre da mesma forma que o casamento, como podemos ver em Efésios 5:23-25 “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela…” Vemos, então, que, assim como houve sacrifício para a instituição do casamento, Cristo se sacrificou por Sua Igreja.

Sendo assim, como Adão entendeu que Eva era unida com ele por vir dele, devemos entender que somos unidos com o SENHOR como Igreja por conta do seu corpo que foi sacrificado por nós. A Igreja nasceu por meio do sacrifício na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Como já fora dito anteriormente, a existência de Eva veio a partir, logicamente, da iniciativa e vontade de Deus; mas, também, pelo sacrifício da costela de Adão. Da mesma forma, a Igreja só existe por causa da iniciativa de Deus em enviar Seu Filho à terra para ser desamparado pelo próprio Pai.

Jesus deu Sua vida pela Igreja: Atos 20: 28 “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”; Mateus 1:21 “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” Isaías 53:8 “Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.” Efésios 5:25 “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela…” Ou seja, o meio que Deus utiliza para a unidade é o próprio sacrifício. Assim como Ele sacrificou Adão para uni-lo com Eva, Ele sacrificou seu próprio Filho para nos unir a Ele.



O simbolismo da Ceia

Diante destas palavras vocês devem estar se perguntando: então devemos sacrificar algo pra termos comunhão com Cristo? Devemos nos sacrificar para sermos um com nosso cônjuge? Não, não precisamos. Depois que Deus sacrificou a costela de Adão para mostrar ao homem a união que ele deve ter com sua mulher, Ele não fez isso novamente. O que o homem deve cumprir agora é o SIMBOLISMO da instituição do casamento. Não é mais necessário o homem ter sua costela sacrificada para entender que deve ser um com sua esposa. O que Deus requer é o CASAMENTO. Então, depois de Adão e Eva, o que Deus ordena ao homem é que Ele se case com sua esposa para, a partir daí, ser UM com ela.

Da mesma forma que ocorre com o homem e a mulher, acontece com a Igreja e a Santa Ceia. Uma vez que Cristo se sacrificou por nós, não necessitamos mais de outro sacrifício para nos unirmos a Ele, como é dito em I Coríntios 10:16 “Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.” Aqui Paulo está ensinando a Igreja de Corinto que quando Ceamos estamos em comunhão com o sangue e o corpo de Cristo. Por isso somos um só corpo e um só pão. Quando vemos Paulo ensinando isso, observamos que não é mais necessário Sacrificar o Cordeiro de Deus e, muito menos, atualizar Seu sacrifício. Paulo nos ensina que só devemos seguir o símbolo do próprio sacrifício de Cristo. Por este motivo é necessário que cumpramos este Sacramento. Se fosse literal como muitos dizem, então significa que somos um pão? Claro que não. Igualmente, quando dizemos que o homem e sua mulher tornaram-se uma só carne, não estamos querendo dizer que esta união ocorreu novamente com Deus retirando um membro do homem, mas, sim, estamos apontando para algo que de fato ocorreu em Adão.

Por isso, quando Ceamos, estamos apontando para uma obra já feita. É um Sacramento que aponta para a morte de Cristo, assim como Paulo nos ensina em I Coríntios 11:26 “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” Sempre quando Cearmos, tenhamos em mente que estamos anunciando a morte de Jesus; estamos cumprindo um Mandamento que aponta para Seu Santo Sacrifício. Por isto, tenhamos reverência. Lembremo-nos também que não é a Santa Ceia em si que sustenta a Igreja. Entretanto, ela é o meio que Deus usa para fortalecer os Crentes em Cristo Jesus. Que essa Verdade venha estar em nossos corações, em nome Cristo Jesus, amém.



Jonas Justiniano

Jonas Justiniano

Membro da Primeira Igreja Batista de Areia Branca, profundo admirador da Fé Reformada, colunista do blog e colaborador da Fan Page Apologética Reformada.


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