Santidade e repressão: saiba diferenciá-las

Uma reflexão sobre o caso Jotta A


Santidade e repressão: saiba diferenciá-las

Estava lendo sobre o vídeo “vazado”, envolvendo o cantor cristão Jotta A, onde ele estaria supostamente bêbado, segurando uma garrafa de vodca e cantando o que parece ser uma imitação de línguas estranhas, comuns em igrejas pentecostais. Isso me fez pensar em algo que frequentemente venho refletindo.

Eu penso que um dos grandes erros que muitos cristãos incorrem é essa coisa de buscar um “padrão de santidade” inatingível. O problema não é, em si, a busca, algo que a Bíblia nos incentiva a tanto, mas, sim quando ela vira uma auto-imposição por meio de um sentimento de culpa.

Ou seja, uma coisa é você não praticar determinadas coisas, porque, com sua consciência em Cristo, você chegou a conclusão que aquilo é errado ou não acrescenta nada para sua vida. Outra coisa BEM DIFERENTE é você simplesmente não fazer algo porque aprendeu que aquilo ali é pecado ou para manter uma imagem perante sua comunidade de fé ou porque o pastor disse para você que aquilo é pecado. Não é raro infelizmente ver gente que na igreja é um santo, mas for a dali tem um péssimo testemunho.

Muitas vezes, neste último caso, a tendência é haver apenas uma repressão e esta é um prato cheio para que se aumente ainda mais a tentação para se fazer aquilo que é proibido, quando não criar espécies de “taras.” Tanto isso é verdade que naquelas igrejas mais legalistas e rígidas nos costumes, é com maior frequências que os escândalos aparecem. Mera coincidência? Penso que não.

Como já tenho 30 anos como cristão, já me deparei com muitos casos de irmãos que eram exemplos aparentes de santidade, mas que passado o tempo, começaram a destoar por completo do figurino anterior, entrando em uma verdadeira compulsão psicológica.

É aquele cara que quase não namorava ou teve uma namorada só na vida, da igreja, e de repente, casa, e no meio do casamento, resolve virar um mulherengo adúltero, decide “tirar o atraso”. Ou aquele cara que nunca bebeu nada e hoje, para mostrar que é livre”, “diferentes daqueles crentinhos simplórios”, enche a cara de álcool para se auto-afirmar. Conheço infelizmente muitos casos assim.

Não conheço bem esse cantor gospel, mas, pelo que sei, ele é colocado no meio como um “padrão de santidade”. Independentemente disso, a questão que fica é: Essa imposição ou colocação é algo que não o está sufocando? O fato de aparecer bebendo (ou bêbado?) o diminui como cristão? Falo isso, porque sabemos que nossa natureza humana é pecaminosa e quem nunca errou que attire a primeira pedra. Ele já teve a hombridade de reconhecer o erro.

Que busquemos em Deus, uma santidade, mas uma santidade que seja sadia e, principalmente, que ela seja fruto não de uma imposição, de uma necessidade de auto-afirmação, mas, sim, de uma consciência do melhor caminho que temos para nossas vidas.



Leandro Bueno

Leandro Bueno

Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil


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