Ser pontual também é ter temor a Deus!

“E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.” Lucas 16.8


Ser pontual também é ter temor a Deus!

No início desse ano, meu esposo e eu passamos 5 meses em treinamento na Jocum (Jovens com uma missão) e um dos aprendizados que tem mais nos marcado na teoria e na prática é sobre ser pontual e as consequências disso.

Na base missionária em que vivíamos havia um cronograma diário dividido entre refeições, meditação, leitura da palavra, aulas, manutenção (faxina diária da base), culto, intercessão, discipulado, horário livre e assim vai, o qual era alterado diariamente conforme imprevistos e ajustes necessários a serem feitos. E nessa rotina intensa, a regra principal era: Não se atrase, senão você será advertido. Caso seja algo além do seu hábito de ser atrasado, esquecimento ou afins, nos avise com antecedência se possível.



Pois bem, nosso grupo tinha 24 alunos e cerca de 10 obreiros que cuidavam de nós e se reportavam para o casal de líderes da escola, algo como se fosse os membros da igreja, os líderes de ministério e os pastores. Regras são estabelecidas e devem ser seguidas para o bom funcionamento da escola e principalmente para aprendermos sobre o Temor do Senhor – que nada mais é que você ser obediente às regras quando ninguém está te vendo, você simplesmente obedecer porque isso faz parte do seu caráter.

Meu esposo sempre foi o Sr. Pontual então para ele não é nada difícil seguir essa regra, mas eu, pois bem, tem algo dentro de mim que grita: Vai dar tempo, não precisa se adiantar, ou chegar 5 minutos atrasada não é algo tão grave desde que você desenvolva bem tudo que estão te pedindo. Mas lá em Jocum, meus queridos, o negócio é beeem diferente – somos ensinados que ser pontual significa respeito e temor a Deus, pois é, você jogar fora um mau hábito significa que você ama a Deus.

Ahhh mas eu vim de São Paulo e de uma cultura de igreja local que às vezes é pontual as vezes não. Por exemplo, quando fizemos nosso culto de despedida em casa, já marcamos um horário pensando que as pessoas se atrasariam pelo menos em meia hora. E não é assim que funciona? Quantas vezes meu esposo chegava no horário do ensaio do louvor e o mesmo só começava uma hora depois, reuniões e afins? Não estou querendo dar uma de: olha aqui agora sou Jocumeira moralista e super pontual, pelo contrário, entendo todo esse processo como um aprendizado para mim que creio que devo compartilhar, pois estou em processo de cura e sei que o brasileiro por cultura luta com isso – é só perceber o caos Olímpico que estamos vivendo por não conseguirmos cumprir prazos. Passamos um vexame incrível na Copa do Mundo de 2014 com obras inacabadas e ainda não aprendemos e nos achamos espertos usando nossa simpatia para acobertar nosso descompromisso. Em São Paulo sempre justificamos nossos atrasos com o trânsito e diversas coisas rotineiras, o que é realidade para nós na maior parte do tempo, mas por exemplo no culto de domingo ? Um dia aparentemente calmo, porque será que nos atrasamos e até justificamos com ah: mas o importante é chegar na hora da palavra, o resto é rotina de culto? O culto é para quem meus queridos? Para nós ou para Deus? Será que Deus só se faz presente na hora da palavra?



Em 2004 morei 3 meses no Canadá, onde os brasileiros e latinos em geral tem fama de serem atrasados e a escola na qual eu estudava também nos advertia quando não éramos pontuais, e eu era sempre a atrasada dos 5 minutos com aquela justificativa que não perdia nada de importante da aula chegando lá na hora ou não. Para fugir da advertência, quando eu chegava atrasada eu subia pelas escadas para não ter que passar pela secretaria ou alguém me ver (minha sala era no 5º andar e a secretaria no 3º). Um belo dia então, o metro de lá quebrou enquanto eu e mais 2 brasileiras estávamos indo para a escola e isso nos gerou um atraso de exatos 6 minutos. Naquele dia então achei que seria honesto de minha parte passar na secretaria, afinal atrasei, mas a culpa não era minha e vários outros alunos se encontravam na mesma situação. Lá estava eu cheia de auto justiça, toda armada para me justificar e fugir da advertência , e no meio da minha argumentação defensiva, a secretaria me disse:

– Qual bairro você mora?



– Burnaby, disse eu, já na defensiva.

– Eu também moro lá e cheguei aqui 10 minutos antes de começar meu expediente, ou seja, você se atrasou porque você normalmente já sai em cima do horário. Qual é sua turma e professor, por favor? E escreveu minha advertência.

Subi bufando para minha sala de aula, entrei na mesma quase socando a porta, entregando a advertência para o meu professor Barry com muita raiva e me justificando. Ele então me disse:



– Nossa, é sua 1ª advertência por causa de horário? Achei que você já tivesse outras, toda semana você atrasa pelo menos 1 dia (já fazia mais de 1 mês que eu estudava lá).

Fingi que não era comigo e disse: ” A droga do metrô quebrou e eu que sou advertida? Tudo bem que se fosse no Brasil eu me atrasaria em pelo menos uma hora caso isso acontecesse, mas foram 6 minutos, afinal vocês são de primeiro mundo, mas ainda sim não aceito essa advertência, eu não pedi para o metrô quebrar.”

Barry simplesmente me olhou com aquele olhar ‘fica quietinha na sua que você está errada’ e me disse: “Então você deveria ter tomado advertências todas as outras vezes que você atrasou de propósito, aliás ainda não sei como você ainda não tinha sido advertida.”

Meu sangue subiu e me sentei espumando de raiva e desacreditada por meu professor ter validado minha advertência, além dos olhares reprovadores do resto do meu grupo que era composto por europeus super pontuais que não suportavam atrasos.



Depois daquele dia continuei oscilando entre chegar na hora e atrasada e alongo prazo retomei meu velho hábito, e adotei os jargões: não gosto de ser arroz de festa; para que chegar na hora se nunca começa no horário que marcam? Ninguém chega no horário; detesto ficar esperando e assim vai.

Fiquei chocada em Jocum quando definiram que não ser pontual é considerado um desvio de caráter, pois a base para tal hábito é: rebeldia, falta de respeito com Deus e com o próximo, controle e egocentrismo. Quem se atrasa sempre acaba sendo o centro das atenções, pois querendo ou não controla o ambiente e as pessoas que o cercam consciente ou inconscientemente. Uma vez perdemos nossa folga semanal na base missionária que era as segundas feiras porque a maioria do nosso grupo simplesmente escorregou no horário por opção própria em algum momento mesmo depois de diversos avisos prévios dados por eles de que estávamos pisando na bola. Tivemos a chance de liberar para a folga aqueles que não tinham atrasado em nenhum momento e eles tinham a opção de aceitar ter sua folga ou serem punidos com o grupo. De 24 pessoas, 6 foram abonadas e dessas, somente 2 folgaram enquanto as outras 4 reconheceram que em algum momento também deslizaram sem a liderança perceber, mas tinham consciência que se aceitassem o abono, estariam mentindo para elas mesmas e principalmente para Deus.

Para concluir, lembro que em uma das primeiras pregações do meu pastor local quando ele chegou em nossa comunidade foi sobre transformarmos a benção em maldição e o exemplo dado foi exatamente esse: “ A pessoa mora longe da igreja, mas é pontual, cumpre os horários certinho, ai Deus a abençoa e ela muda para pertinho da igreja e ai ela começa a chegar atrasada no culto”. A benção da distância se transformou em maldição do atraso.

Continuo lutando para vencer meu vício em atraso todos os dias! Que tal se unir a mim e juntos honrarmos a Deus e rompermos com essa fama que crentes/evangélicos são descompromissados e atrasados?

“E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.” Lucas 16.8



Carla Stracke

Carla Stracke

Missionária, Intercessora, escritora, tradutora, professora e comerciante. Tudo para a glória de Deus e com intenso desejo de ajudar a transformar mentes e corações.


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