Só a Justiça para o Lula

O Brasil precisa de uma reforma política para que enseje uma reforma de políticos.


Só a Justiça para o Lula

Até a década de 1930 o Brasil viveu sob os reflexos do Pacto Colonial que o impediu de se empenhar no desenvolvimento industrial. Entre os anos de 1930 a 1940, na era Vargas, deu-se inicio, portanto, ao que chamamos de Revolução Industrial Brasileira, tendo os barões do café como investidores privados e, do outro lado, o governo, com a criação de empresas estatais como Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce (por exemplo), fazendo sua parte também.

Concomitante à Revolução veio o crescimento econômico, a geração de empregos e, claro, a organização das centrais sindicais que brigavam por melhores condições de trabalho e salários, em detrimento do ranço lucrativo que as empresas tinham/tem.

Em 27 de outubro de 1945 nascia, em Caetés, Estado do Pernambuco, Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda pequeno mudou-se para o Estado de São Paulo, onde, mais tarde, iniciou a vida laboral no ramo da siderurgia. Mais adiante, como todos sabem, se tornou sindicalista e passou a defender interesses da classe trabalhadora. Para conseguir levar os trabalhadores a pararem suas atividades na região do ABC paulista, Lula, naquela época, precisou se esmerar  na arte da comunicação persuasiva, havia vista que não se conseguia mobilizações à força, por mais que houve interesse por parte da classe operária.

Lula desenvolveu uma capacidade ímpar de conseguir discursar de forma consonante. Pelo fato de saber, simultaneamente, falar à mente e ao coração de seus ouvintes, aquele que viria ser presidente do Brasil, foi conseguindo, cada vez mais, o apoio popular, pois falava das dificuldades por experiência.

Construir o legado que Lula construiu, em termos de obter a simpatia das pessoas, foi, primeiramente necessário a ele. Em segundo lugar, essa construção se deu devido à colaboração de fatores históricos.

Lula, não é – como seu filme diz – apenas um “o filho do Brasil”; é filho de um fato histórico. Foi um pobre que aprendeu discursar bem, falando das dificuldades que os brasileiros, desde sempre, enfrentam.

Os programas policiais têm grande audiência, não é porque apresentam soluções aos problemas que mostram, mas  porque um apresentador aparece na tela, depois de uma matéria revoltante, e discursa concordando com a sede de justiça dos telespectadores.

As pessoas no Brasil nem são tão ávidas por soluções, elas simplesmente querem complacência. Lula sabe ser complacente com a dor alheia. Ao falar, ele embarga a voz, libera lágrimas, diz que o pobre precisa ter dignidade, emprego, comer e morar melhor. Seu governo foi bom: teve emprego, inflação controlada, distribuição de renda e etc.

Essas são experiências que marcam a vida das pessoas. O Brasil, como se sabe, vivia uma época de ascensão econômica. O Plano Real e as diretrizes econômicas construídas por Fernando Henrique Cardoso, colocaram o País nos “trilhos”. Lula apenas seguiu a cartilha. Ao deixar o governo, o barbudo socialista o fez, depois de dois mandatos, com mais de 80% de aprovação – a maior na história de um governante brasileiro.

Desde a promulgação da Constituição de 1891, o Brasil passou é regido pelo sistema presidencialista. Esse tipo de sistema permite que se faça uma governança de coalizão, com a participação de vários partidos políticos. Mas devido à sua centralização, os eleitores, e povo de u modo geral, se veem presos à teia do personalismo político. Em cada ano de eleição, estamos à procura de um salvador da pátria. Enquanto não for alterado esse sistema, bandidos como o Lula e outros políticos mais continuarão a ser opções de destaque, que ofusca o aparecimento de novas lideranças, pois antes de ser eleito para este ou aquele cargo, o tal político é eleito “salvador da pátria”.

Isso impede que seja feita, de tempos em tempos, uma purgação no âmbito da política Nacional. Desde que me entendo por gente, as “figurinhas carimbadas” da política têm sido as mesmas.

Se não há possibilidade de renovação em termos de pessoas, não haverá em termos de idéias, pois os políticos que aí estão, desde sempre, já mostraram a que vieram e porque ficaram – interesse próprio por poder e econômico. Ademais, esse personalismo acaba fazendo com que candidatos precisem desconstruir candidatos nas eleições, ao invés de apresentar melhores projetos, e faz com que os eleitores “se estapeiem” nas ruas e, mais recentemente, nas Redes Sociais.

Temos vários políticos condenados que, mesmo presos, conseguem eleger parentes para comandar prefeituras, para ocupar um cargo nos legislativos estaduais ou mesmo no federal.

O Brasil precisa de uma reforma política para que enseje uma reforma de políticos. Enquanto não, nosso voto não terá poder algum, e continuaremos a precisar da Justiça para que tire canalhas como o Lula de um páreo eleitoral. Pois, se estiver lá, corre um grande risco de ganhar, como as pesquisas apontam.

Desde que haja um discurso bem elaborado, que consiga lhes tocar a mente e, sobretudo o coração, as pessoas, no nosso país, embarcam em qualquer parada.



Fernando Pereira

Fernando Pereira

Jornalista e acadêmico dos cursos de História e de Teologia.


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