A teologia do corpo

“Quando expomos partes indecorosas do nosso corpo indevidamente, estamos pecando contra Deus e as pessoas.”


A teologia do corpo

Não entraremos no terreno dos usos e costumes – seria um prato cheio para quem gosta de polemizar, não?! Nosso objetivo será abordar, através da ótica cristã, a teologia do corpo. Para tanto, tentaremos responder a algumas questões necessárias.  Como devemos cuidar do nosso corpo? Como convém nos vestir? A santificação corporal realmente é importante para a nossa vida espiritual?

O cuidado com o corpo

No âmbito dietético, o cuidado com o corpo relaciona-se com o que nós ingerimos, porque o que comemos pode afetar seriamente a nossa saúde. A ingestão de gorduras encontradas em diversos alimentos ou açucares consumidos inadequadamente é um exemplo disso. Conheci pessoas que “morreram pela boca”, porque não souberam seguir, clinicamente, a sua dieta. Sem dúvida, precisamos zelar a “nossa casa terrestre” (2 Coríntios 5.1[1]).

Cabe-nos entender também que, embora haja nas Escrituras algumas leis dietéticas para os israelitas no Antigo Testamento (AT), é muito provável que as proibições da Lei de Moisés estivessem relacionadas aos animais sacrificados entre os pagãos (Lv 11). De acordo com Eichrodt (Dicionário Bíblico Beacon, Vol. 1, 2009, p. 280),


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Estas restrições, tão incomuns a nós, podem ter tido significação mais religiosa e, no final das contas, mais moral do que se pensa à primeira vista. Sua sugestão é que, por estas leis, tudo o que tinha a ver com deuses estrangeiros ou seu culto era condenado como imundo. Animais como o porco, figuravam nos ritos sacrificatórios cananeus. Ratos, serpentes e lebres foram proibidos, porque os povos antigos os consideravam possuidores de poder mágico especial.[2]

 Além do cuidado com a alimentação, a prática de exercícios físicos, por exemplo, não é condenada pelas Escrituras. Todavia, a Bíblia adverte-nos quanto ao que deve ser prioritário para a nossa vida. O que é mais importante para um cristão? Cuidar da alma ou zelar o corpo? Na verdade, as duas ações contínuas são necessárias. No entanto, a vida espiritual pesa mais na balança da realidade cristã: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da vida que há de ser” (1 Tm 4.8).

Corpo: morada, templo e sacrifício vivo

É essencial sabermos que, assim como uma casa abriga os seus moradores, nosso corpo é o recôndito da alma e do espírito (1 Ts 5.23). Além disso, também é chamado de morada do Espírito Santo: “[…] o Espírito habita em vós” (1 Co 3.16). O Espírito de Deus faz morada no corpo de todos que recebem Cristo como Senhor e Salvador (Rm 8.9). Ora, se somos habitação de Deus, cabe-nos cuidar desse corpo, de modo que ele seja valorizado e reflita os princípios e valores cristãos em meio a um mundo corrompido pelo pecado.

O corpo também é chamado de “templo” do Espírito (1 Co 3.16). O que é um templo? Templo é um santuário, um lugar de adoração. Sendo um local de veneração, devemos sempre adorar a Deus com o nosso corpo, bem como mantê-lo sempre limpo de impurezas espirituais.

Teologicamente, além desses dois sentidos, o corpo pode ser considerado como uma oferta de sacrifício ao Senhor: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).

A exposição do corpo

Essas três analogias ajudam-nos a introduzir a importância que devemos dar a forma com que o nosso corpo deve ser exposto. Sobre a exposição em público do corpo, Paulo aconselhou Timóteo a orientar as irmãs de Éfeso, para que elas se vestissem discretamente: “que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso” (1 Tm 2.9). As boas obras deveriam guiar a vida dessas irmãs (1 Tm 2.10). Os princípios contidos nessas orientações servem para os homens também.

O próprio Paulo falou que, em nosso corpo, há partes “vergonhosas”, ou seja, partes que merecem ser mais honradas. E esta “honra” está relacionada ao cuidado que devemos ter no cobrir bem essas regiões menos decorosas: “e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra” (1 Co 12.23). Portanto, é pertinente dizermos que, quando expomos nossas partes “vergonhosas” indevidamente, estamos pecando contra Deus e as pessoas. Vale lembrar, também, que roupas apertadas, sobretudo em mulheres, tendem a despertar a libido.

Às vezes fico pensando como muitas mulheres cristãs professam fé em Cristo e, ao mesmo tempo, vestem-se sensualmente. Será que elas não têm consciência de que estão pecando? Como diz Paulo, as mulheres crentes devem se vestir de forma “decente”, “modesta” e com “bom senso”.

A santificação do corpo

Prestemos atenção no que o apóstolo Paulo diz em 1 Coríntios 6.18-19 (grifo nosso):

Fugi da impureza [prostituição, ARC[3]]. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Paulo novamente enfatiza que o nosso corpo é “santuário” do Espírito. E, por ser templo de Deus, temos que nos policiar, para não profaná-lo, “pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra” (1 Ts 4.3-4). Lembremo-nos que a santificação é crucial para vermos o Senhor: “Segui […] a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Portanto, devemos compreender que o nosso corpo carece de ser zelado física, moral e espiritualmente.

[1] Todas as citações bíblicas, exceto em contrário, serão extraídas da edição Revista e Atualizada da tradução de João Ferreira de Almeida.
[2] LIVINGSTON, G. H.; COX, L. G.; KINLAW, D. F.; DU BOIS, L. J.; FORD, J.; DEASLEY, A. R. G.. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 1. 3. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, 509 p.
[3] Almeida Revista e Corrigida.



João Paulo Souza

João Paulo Souza

32 anos, casado com Marcela Souza, assembleiano, pedagogo e pós-graduado em Coordenação Pedagógica.


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