Um homem, um jumento e um leão

Que possamos atentar para a Palavra do Senhor, evitando a precipitação dos lábios, a ingenuidade espiritual e a desobediência aos mandamentos de Deus.


Um homem, um jumento e um leão

Como prometido no último artigo, neste daremos continuidade ao escrito “Altar, Altar!”, que tratou dos acertos do “homem de Deus” (1 Rs 13.1-8). Só que, agora, iremos pontuar alguns erros que levaram esse profeta à morte.

Observando atentamente o texto sagrado, identificamos o primeiro erro do profeta quando ele revelou ao rei o que não era para ser revelado: “Porque assim me ordenou o SENHOR pela sua palavra, dizendo: Não comerás pão, nem beberás água; e não voltarás pelo caminho por onde fostes. E se foi por outro caminho” (1 Rs 13.9-10a). Observemos que não havia nenhuma necessidade do homem de Deus falar isso para Jeroboão e para aquelas pessoas que estavam presentes naquela ocasião. Não deu outra: em breve, aquela precipitação lhe custaria a própria vida.

Nesse sentido, encontramos alguns textos que nos advertem quanto ao mau uso da língua, os quais enfantizam: a língua pode nos levar a morte (Pv 18.21); quem fala muito erra demasiadamente (Pv 10.19); podemos nos precipitar com as nossas palavras (Ec 5.2). Além disso, ao falarmos, devemos atentar para quem estar nos escutando, sobretudo se a pessoa é ímpia: “[…] porei mordaça à minha boca, enquanto estiver na minha presença o ímpio” (Sl 39.1).

Retornando à passagem em tela, veremos que os filhos do “profeta velho” tomaram conhecimento da precipitação do homem de Deus (1 Rs 13.11). Ora, a Bíblia relata que o profeta velho, que morava em Betel, ouviu acerca do que fez o homem de Deus e perguntou aos seus filhos por onde ele havia seguido viagem. Após tomar notar, preparou o seu jumento e foi atrás daquele profeta (1 Rs 13.13-14). Encontrando o homem de Deus “sentado debaixo de um carvalho, lhe disse: És tu o homem de Deus que vieste de Judá? Ele respondeu: Eu mesmo. Então, lhe disse: Vem comigo a casa e come pão” (v. 14). Ao ser convidado pelo malicioso profeta, o homem de Deus repetiu sua precipitação (v. 1 Rs 13.16-17).

Outro erro do homem de Deus foi sua ingenuidade demonstrada ao decidir voltar com o profeta velho para Betel, atendendo a uma falsa profecia e ao seu egoísmo. O profeta idoso disse: “Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do SENHOR, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água. (Porém mentiu-lhe.) Então, voltou ele” (1 Rs 13.18-19). Triste atitude! Todo ingênuo, por vezes, fica cercado de perigos!

Em Betel, sentados à mesa, o homem de Deus recebe a sentença fúnebre:

Assim diz o SENHOR: porquanto foste rebelde à palavra do SENHOR e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te mandara, antes, voltaste, e comeste pão, e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão, nem beberás água, o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais. […] Foi-se, pois, e um leão o encontrou no caminho e o matou; o seu cadáver estava atirado no caminho, e o jumento e o leão, parados junto ao cadáver” (1 Rs 13.21-22, 24, grifo nosso).

O terceiro erro do homem de Deus foi ser desobediente ao mandamento do Senhor (1 Rs 13.26). Quem desobedeceu à voz de Deus e prosperou? Porventura, não está escrito que, quem lhe der ouvidos, será bem-sucedido? – “Se atentamente ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o SENHOR, teu Deus, te exaltará” (Dt 28.1).

Que possamos atentar para a Palavra do Senhor, evitando a precipitação dos lábios, a ingenuidade espiritual e a desobediência aos seus mandamentos.



João Paulo Souza

João Paulo Souza

33 anos; casado com Marcela Souza; servo do Senhor e Salvador Jesus Cristo. É pedagogo e pós-graduado em Coordenação Pedagógica.


Deixe seu comentário!