Uma igreja que não me dê tédio, por favor!

Deus não é garçom e não tem crise de identidade


Uma igreja que não me dê tédio, por favor!

Eu não sei você, mas uma das coisas que mais detesto sentir é aquela nhaca do tédio sabe? Aquela hora que você tem milhares de opções legais para fazer ou assistir e nenhuma te apetece? Podem colocar a melhor sobremesa das galáxias na sua frente e nem aquilo te anima ou pior ainda, Deus responde positivamente aquele desejo do meu coração de meses ou até anos e aquilo simplesmente perdeu total sentido porque estou entediada.

Eu particularmente luto contra o tédio e a síndrome do pensamento acelerado que é considerada um mal desse século, pois gera frutos como ansiedade, pânico e depressão. Creio que a raiz disso é a insatisfação da alma quando não estamos com as áreas centrais de nossa vida em equilíbrio – corpo, alma e espírito.



Esses dias li um artigo interessante em uma revista cristã americana que falava sobre o mal da geração da qual faço parte que são os Millennials, pessoas que nasceram entre a década de 80 e 90, e como essa geração tem um potencial incrível, porém vive comparando sua vida com a do outro e se alimenta do mundo virtual para isso e como também é uma geração mais expectadora do que ativa – uma geração que muito observa e aplaude, mas na prática não é muito efetiva – mais consome do que produz.

Resumindo, uma geração entediada e com uma necessidade de doses diárias de distrações e entretenimento para estabilizar seu humor, emoções e motivações. Uma geração que desaprendeu a ter prazer em interagir com o próximo e está viciada em uma via de mão única que é o mundo virtual e o falso controle que ele oferece de recebermos somente o que desejamos e não precisarmos dar nada em troca.

Um outro exemplo bem simples e real sobre isso: ontem fui com minha mãe e minha tia numa reunião da escola delas e observar a diferença comportamental geracional era o mínimo que eu podia fazer, pois era gritante e encantadora. Foi uma festa incrível onde alunos e professores se reencontraram depois de 40 anos. A 1ª coisa que observei é que eles chegaram pontualmente no horário marcado e a maior parte deles só foi embora na hora que a festa estava marcada para acabar.



Minha tia ficou a festa inteira conversando com suas amigas e o brilho no olhar delas era intenso enquanto recordavam o passado e contavam sobre os filhos, netos e conquistas do presente. Teve retrospectiva de fotos, depoimentos e o orador da festa, como bom Cristão não teve medo de citar Deus em seu discurso sobre aquela trajetória. Não pude deixar de comparar esse evento com a reunião de 10 anos que meu antigo colégio fez ano passado e simplesmente não conhecíamos mais uns aos outros.

A festa foi regada a cerveja e funk e as pessoas mal conversavam, eu simplesmente não consegui ficar mais que meia hora ali e a maioria dos meus amigos simplesmente optou por não ir.

Mas, o que a igreja tem a ver com isso? Assim como nossa vida e rotina muitas vezes nos entediam, temos tratado a igreja dessa forma – um lugar que me esforço a ir esperando que preencha minhas expectativas emocionais e psicológicas dependendo de como foi a semana anterior ou meu humor está naquele domingo.

– Ai do pregador se não pregar algo que me agrade o coração ou me alimente intelectualmente o que perigosamente me leva a encaixotar Deus ao meu bel prazer mental;

– Ai da banda de louvor se não tocar alguma música que me dê quentinho no coração e não se alinhe com minhas emoções daquela noite ou meu estilo de música favorito

– Ai dos testemunhos se não forem miraculosos o suficiente para exigir meu aplauso e atenção

– Ai do missionário/evangelista se não contar uma história bem Indiana Jones gospel para que eu resolva tirar o escorpião do bolso e decida ajuda-lo financeiramente.

Tratamos a igreja como um restaurante ou serviço de TV aberta e as programações dela como um cardápio que deve me apetecer. Clientes supostamente exigentes, mas no fundo são facilmente levados pelo tédio e por suas emoções mal controladas. Queremos incansavelmente alguma coisa que nos ‘alimente’; de preferência alguma teoria humanista que distorça a bíblia ou não nos confronte ou então nos apresente um Jesus garçom que está implorando por nossa atenção.

Deus não é garçom e não tem crise de identidade e muito menos tédio mesmo sabendo quão limitada sua criação humana é e que há milênios ri das mesmas piadas e comete os mesmos erros, vez após vez.

A única pessoa no universo que poderia morrer de tédio e chutar o balde é Deus, afinal ele já sabe tudo que vai acontecer até que sua palavra se cumpra e nós que agimos que nem crianças mimadas, pois desconhecemos e temos preguiça de nos aprofundar na riqueza da sua palavra, na sua multiforme graça e viver no centro de sua vontade.

Está entediado com sua vida cristã ou sua igreja? Peça perdão para Deus e corra para Ele, fuja da tentação de encaixotar Deus em seus sofismas e conceitos e assim como os anjos, aprenda a adorá-lo e descobrir uma nova faceta cada vez que você olhar para Ele.

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de ânimo vacilante, purificai os corações. Tiago 4.8



Carla Stracke

Carla Stracke

Missionária, Intercessora, escritora, tradutora, professora e comerciante. Tudo para a glória de Deus e com intenso desejo de ajudar a transformar mentes e corações.


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