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Uma política de saúde restauradora

Deus deu ao indivíduo a responsabilidade de cuidar da sua saúde, e à família e à igreja a responsabilidade de cuidar dos doentes.


Uma política de saúde restauradora

Deus criou o homem como um ser distinto dos outros seres vivos. Deu ao homem um espírito e uma alma (não físicos) e um corpo físico (Gn 2.7), cuja qualidade de vida depende da presença ou ausência de saúde. A saúde perfeita foi experimentada apenas por Adão e Eva antes do pecado (Gn 2.17b; Rm 5.12; ICo 15.21-22); desde a queda, a saúde do homem tem refletido tanto seu relacionamento com Deus quanto seus cuidados pessoais, com base em orientações médico-científicas.

A obediência a Deus e suas leis e a regeneração espiritual do homem são imprescindíveis para uma boa sáude física, mental e espiritual (Ex 15.26; IRs 3.14; Pv 3.7-8). Doenças físicas e mentais podem ser causadas por pecados pessoais (Dt 17.2-3, 7; Sl 38.1-8, 41.3; Hb 12:6), pela ação do maligno (Mt 8.16; Mc 5.1-20)  ou podem decorrer de permissão de Deus, sem causas espirituais específicas (Jó 2.4-8; Jo 9.1-3; At 3.2). Nesse caso, a ausência de cura não resulta necessariamente da falta de fé, de oração e/ou de maturidade espiritual. Reflete ora a vontade propositiva ora a vontade permissiva de Deus (2Co 12.8-9).

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Deus atribuiu ao indivíduo a responsabilidade pela própria saúde (Lv 19; Rm 14.12; ICo 12) e à família, a responsabilidade pela saúde dos seus, especialmente em relação às crianças e adolescentes e idosos (ITm 5.8, 10). Os indivíduos e as famílias eram orientados pelos sacerdotes, a quem Deus atribuiu a responsabilidade de lidar com a saúde coletiva dos israelitas. Nesse sentido, Deus lhes ensinou, por meio de leis, as primeiras e mais essenciais noções de higiene pessoal e coletiva e as formas de evitar doenças contagiosas (Dt 13.15-16; Nm 19.11, 16; Lv 15.2, 7-8, 16, 19, 25).

Com o passar dos séculos e as mudanças político-sociais ocorridas, o dever de promover assistência à saúde e a medicina foi transferido para a Igreja. Lucas, díscipulo de Jesus, era médico (Cl 4.14); Basílio de Cesaréia, ministro Cristão, abriu a primeira instituição hospitalar em 369 DC, denominada xenodochia, com 300 leitos; e, anos mais tarde, em 390 DC, Fabíola, uma enfermeira Cristã, fundou o terceiro hospital em Roma (primeira instituição hospitalar no Ocidente).

Além de prestar o serviço, os Cristãos também realizaram descobertas científicas fundamentais para o campo da saúde. Gregor Mendel, considerado pai da genética, era um monge agostiniano, e Karl Ernst von Baer, o pai da embriologia, um biólogo Cristão. Carlos Chagas Filho, renomado médico brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras, também exerceu sua profissão para revelar Jeová-Rafa, o Deus que sara. Em entrevista concedida em 1983, ele declarou que procurava mostrar que não havia incompatibilidade entre a verdade científica e a revelação divina.

De fato, como declarou Carlos Chagas Filho, enquanto resultado de seu estado físico, mental e espiritual, a saúde do homem deve ser promovida conjuntamente pela ótica bíblica e pela ciência médica. A Bíblia deve ser a autoridade primária e final para a política de saúde e a ética médica (2Tm 3.16-17; 1Co 2:.2-3) e a ciência médica deve ser promovida dentro dos limites da autoridade bíblica.

Sob essa ótica, a prestação do serviço de saúde e a ciência médica devem envolver profissionais com vocação sacerdotal, admitido que a saúde do ser humano compreende alma, corpo e espírito. Quando a medicina é praticada por pessoas sem tal chamado, os profissionais a tornam uma área secularizada, dependente de soluções unicamente humanas, e limitada por desconsiderar e ignorar o lado espiritual do homem. A ética médica torna-se relativa e o médico é visto como mestre do destino humano, como fonte primária de soluções para os problemas de saúde dos indivíduos. Em decorrência disto, abre-se espaço, no campo médico, para discursos humanistas anticristãos como a defesa do aborto e da eutanásia e a defesa da reprodução artificial e assistida fora do casamento, que, em comum, compartilham a visão relativa da ética médica e a crença na divindade do médico enquanto curador.

Deus deu ao indivíduo a responsabilidade de cuidar da sua saúde, e à família e à igreja a responsabilidade de cuidar dos doentes. Na perspectiva do Reino, Estado e mercado apresentam um papel subsidiário, secundário, complementar, na assistência à saúde. Por compreender uma dimensão não-física e física, a saúde do homem é tão melhor, quanto melhor são seus relacionamentos interpessoais e com Deus2.

Notas:
1 Fonte: http://www.freewebs.com/kienitz/declara.htm#ref19
2 Estudos recentes comprovam a verdade bíblica ao mostrar que um casamento saudável produz, dentre outros benefícios, uma melhoria na prevenção do aparecimento de doenças (Fonte: https://drjulianopimentel.com.br/artigos/relacoes-familiares-influenciar-saude).



Viviane Petinelli é pós-doutora em Ciência Política. É especialista em políticas públicas e participação social.

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