Vai doer? Então não quero

Que a dor nos fortaleça e sua superação nos permita parecermos cada vez mais com Cristo.


“Carros
Pela cidade
Correndo contra o tempo
Distantes
No vazio
Atormentados pelos males de uma era turbulenta e sem alívio.”
– Sublime – Leonardo Gonçalves

Em uma conversa recente com uma pessoa sobre comportamento humano, nova vida em Cristo e feridas da alma, ouvi a seguinte frase: “Nunca focamos tantos em nós mesmos, nunca fizemos tanta terapia e tomamos tantos remédios e estamos cada vez mais doentes”.



Pois é, a humanidade está cada vez mais frágil e doente. Engraçado como quando falamos em humanidade não parece que pertencemos a ela e sim que somos meros coadjuvantes ou expectadores da mesma.

Esfriamento do amor, homens amantes de si mesmo, enfim tudo isso não é novidade e já estava profetizado na palavra de Deus o tempo no qual vivemos atualmente e a triste decadência na qual iremos entrar cada vez mais. O que nos anima é saber que tudo isso faz parte do propósito divino para que sua palavra se cumpra – fazer parte do propósito não significa que Deus tenha desejado ou esteja feliz com a decadência humana, porém ele sabe muito melhor do que nós como nossa natureza autossuficiente e egocêntrica nos afasta dele, então cremos na permissão que ele nos deu pelo livre arbítrio de cavarmos nossa própria cova – afinal fora de Cristo não há vida.

Voltando às terapias e remédios, não sou contra terapia, aliás sou a favor de tudo que promova cura física e emocional, desde que esses artifícios nos aproximem de Cristo e não nos deixem mais egoístas e mimados como se fôssemos coitados ou vítimas ou sigam algum preceito que vá contra minha fé em Cristo. Eu mesma faço terapia com uma psicóloga incrível e a cada sessão me sinto mais plena e completa em Cristo, por que? Porque entendo que ela está ali para me auxiliar na cura de meus traumas e feridas, porém sei que cura plena e vida completa só em Cristo terei.



Aí você pode pensar: “Ah, mas quando você se converteu não virou nova criatura? Renascimento em Cristo, não há mais condenação”. Concordo com isso e professo de boca cheia que quem me cura e me liberta é Deus, porém compreendo que há certas coisas em nossas vidas como experiências e traumas que Deus também revelou poder de cura através do conhecimento psicológico e da ciência para que pudéssemos superar as mazelas da vida e que tudo isso é muito importante. Recorremos à médicos, porém confiamos e sabemos quem é o médico dos médicos. É pela manifestação dos filhos de Deus que Jesus é refletido.

Tá, mas e os remédios? Vivemos numa era que pelo menos em grandes cidades do ocidente há remédio para tudo ou quase tudo e há tantas opções que as vezes nem sabemos diferir qual comprar. Está com dor de cabeça? Existem pelo menos 10 opções de remédios para aliviar sua dor. E farmácias então? Perto da minha casa existe uma praça que tem 5 agências bancárias diferentes e também 5 farmácias de redes diferentes vendendo o mesmo produto.



Qualquer semelhança entre bancos e farmácias é mero detalhe. Uma cultura hipocondríaca tem sido criada onde ao qualquer sinal de dor já socamos algo em nossa goela porque não podemos deixá-la atrapalhar nossas rotinas caóticas. Estamos nos tornando uma geração que tem pânico de dor e faz de tudo para não senti-la, seja ela física, emocional ou espiritual. E isso tem nos destruído. Nossos corpos estão cada vez com menos imunidade ou habilidade de resistir a dor.

Atualmente temos crianças tendo suas vesículas retiradas, crises renais e doses de Ritalina para acalmar sua suposta hiperatividade. Parece que estamos a ponto de quebrar a qualquer momento e não temos conseguido nos suportar mais. Estamos cada vez mais solitários, pois não conseguimos lidar com a nossa dor e muito menos com a do próximo. Vivemos uma busca incessante e frenética por felicidade e bem-estar que é simplesmente sobre humana.

Deus nos diz em sua palavra que podemos trocar nosso fardo com ele, mas isso exige algo chamado confiança em Deus e renúncia do nosso autocontrole, então as vezes preferimos ficar lá sofrendo, mas resolvermos do nosso jeito do que deixar na mão de Deus. Jesus pediu a Deus que nos desse capacidade de vencer o mundo como ele venceu e se relermos os evangelhos perceberemos facilmente que ele foi um homem de dor.



Deus realmente opera milagres em nossas vidas e assim como qualquer cirurgia, existe um período pós-operatório que só será menos ou mais dolorido devido à nossa disposição de seguir as orientações do médico dos médicos.

Para sermos agentes de cura teremos que ter nossas feridas saradas e Deus está mais que disposto a nos curar. Em qual fase de nossas vidas estamos? Pré operatória, cirúrgica, pós-operatória ou sarados a ponto de já podemos auxiliar na cura do nosso próximo?

Que a dor nos fortaleça e sua superação nos permita parecermos cada vez mais com Cristo.



Carla Stracke

Carla Stracke

Missionária, Intercessora, escritora, tradutora, professora e comerciante. Tudo para a glória de Deus e com intenso desejo de ajudar a transformar mentes e corações.


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