Viver ou resistir: eis a questão!

Use a resistência como fator de alerta para se manter precavido, e não como elemento paralisante


Viver ou resistir: eis a questão!

Para que passássemos a existir não empreendemos nenhum tipo de esforço, senão aquele de perfurar o óvulo de nossa mãe, atitude está programada pela natureza.
Dentro do útero, por nove meses (média), somos alimentados sem precisar forçar as mandíbulas para mastigar o alimento. E assim ficamos, nessa mordomia, até que chegue o dia de nascermos, quando saímos do corpo de nossa mãe, também por mero comodismo, pois se continuarmos lá, morremos, porque somos um corpo estranhos – embora um milagre.

Depois de nascer, passamos a receber a atenção de todos, nos aconchegados no colo de nossa mãe para nos alimentarmos e, mais tarde, passamos a fazer uso da mamadeira e, posteriormente, dos talheres, que é no mesmo período que passamos a empreender esforços para mastigar os alimentos. De todo modo, o alimentos que temos, as roupas que vestimos, a cama onde dormimos, o teto sob o qual moramos, tudo isso não nos custou nenhum tipo de esforço.



Esses elementos da nossa fase inicial da vida são fortes influenciadores ao estabelecimento da cultura do comodismo, da “zona de conforto”. Fora a parte esses prefeitos e necessários cuidados que precisamos ter, até pelo fato de que ainda não temos condições de “ganhar a vida” empreendendo esforços próprios, devemos, assim que possível, abdicar essa segurança, esse cômodo status quo para podermos nos lançar às grandes aventuras que a existência nos proporciona.

Resquícios dessa “cultura do comodismo” criou em cada um de nós a terrível “âncora” da resistência que nos fixa no litoral da vida e nos impede que avancemos “mar” adentro, onde vamos enfrentar os perigos, mas também vamos descobrir um mundo novo, viver novas experiências e alcançar novas possibilidades.

Quando não abdicamos de usar a resistência, em certos momentos de nossa vida, deixarmos de fazer mudanças que se desdobram em problemas a serem resolvidos e que, se forem solucionados, hão de estabelecer novos paradigmas.



Tenho me deparando com muitas pessoas em empresas que se fixaram em uma zona de conforto no setor onde atuam e jamais se dispõem a aprender novas funções, “pois”, dizem, “a empresa vai me exigir esforço dobrado ou até triplicado, caso eu aprenda”. Esse tipo de gente não apenas se limita em não desenvolver sua capacidade, o que em si é um “pecado”, como também se limitam no mercado de trabalho da sua área. Por exemplo: um repórter que saber, além de apurar e reportar notícias, filmar e editar, se algum dia, porventura, perder seu emprego de repórter e encontrar somente oportunidade para atuar como cinegrafista e/ou editor, não ficará desempregado, pois ampliou seu arcabouço de especialidades ao não de manter no que lhe era cômodo.

A resistência nos faz ter medo do novo, nos limita na solução de problema e nos mantém, de certa forma, presos. Mas a não resistência nos faz avançar. Pense você no quanto a medicina avançou graças à ousadia da comunidade acadêmica e científica. Imagine você se os tripulantes e capitães das caravelas não tivessem saído do cômodo e desbravando os mares, sobretudo os portugueses, espanhóis e ingleses, se quer existiríamos, pois somos, de certa forma, frutos dessa ousadia.



Não tema o novo, resolva problemas (tem coisas que nem precisam chegar ao chefe de sua empresa), desbrave os novos paradigmas e construa um mundo novo. O mundo virtual é fruto dessa ousadia humana. A chegada à lua foi fruto do império da não resistência. Use a resistência como fator de alerta para se manter precavido, e não como elemento paralisante.



Fernando Pereira

Fernando Pereira

Jornalista e acadêmico dos cursos de História e de Teologia.


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