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Yom HaShoá – “Dia da Lembrança do Holocausto”

Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Isaías 43:2


Yom HaShoá - "Dia da Lembrança do Holocausto"

O Yom HaShoá ocorre no dia 27 de Nisã – 11 de Abril em 2018 – e é lembrado, anualmente, como o dia de recordação das vítimas do Holocausto. O Yom HaShoá foi estabelecido em 1959 como lei em Israel e aprovado por David Ben-Gurion e Yitzhak Ben-Zvi, tornando-se um feriado nacional em Israel. O sobrevivente  do Holocausto e Premio Nobel de literatura, Elie Wisel, disse o seguinte sobre essa data: “Não relembrar significa matar o judeu duas vezes. Relembrar significa ter compaixão por aqueles que sofreram”.

Quando tratamos desse período tenebroso na história da humanidade, se faz  necessário, para compreensão, definir termos como: Holocausto, Shoah e Solução Final.

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A palavra “holocausto” vem do grego holokauston e significa “todo queimado”; ou no sentido religioso: “oferta de sacrifício completamente queimado ou algo queimado oferecido a uma divindade”. A palavra “holocausto” é a tradução da Septuaginta grega do Tanach (A.T.) para a palavra olah, que consiste nas ofertas de sacrifícios queimados no altar do Tabernáculo e do Templo de Jerusalém, como encontramos em Levíticos.

O termo hebraico olah (holocausto) significa “subir ao alto” e se refere a um sacrifício voluntário (Lv.1:3), no qual o ofertante se identificava com a oferta (Lv.1:4). A oferta de Holocausto-Olah era queimada por inteiro (Lv.1:9).

Como sabemos, por meio de registros históricos, o termo holocausto deixou o seu sentido religioso e passou a ser usado para designar grandes massacres. Já nos anos 1960, o termo passou a ser usado por estudiosos e escritores para se referir especificamente ao genocídio nazista contra o povo judeu. E a famosa minissérie de televisão que tratou do assunto em 1978, ao utilizar como título – O Holocausto, ajudou a popularizar o termo na linguagem comum.

Com tudo a palavra bíblica shoah, que significa “calamidade, catástrofe ou destruição” (Sl.35:8), ou seja algo que não está no controle de quem sofre com ela, tornou-se a palavra hebraica padrão para substituir o termo Holocausto em 1940, especialmente na Europa e em Israel.

A frase: “a solução final para a questão judaica” foi usada pelos nazistas para se referir ao extermínio dos judeus. Outro termo adotado pelos nazistas para justificar os intentos da solução final foi: “indignos da vida”. A “solução final” nazista envolvia o projeto de aniquilação dos judeus, não somente em território alemão, mas em toda a Europa e onde mais se encontrasse um judeu vivo. Para o nazismo, judeu era todo aquele que tivesse um avó judeu.

Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-1919), e com ela o aprofundamento da crise econômica, buscou-se um “bode expiatório” para se culpar. Como o antissemitismo na Alemanha estava em ascensão, foi fácil transferir a culpa das mazelas alemãs aos judeus. Cabe destacar que o movimento antissemita alemão, desde o século anterior, apregoava um racismo em base biológica pseudocientífica, no qual os judeus eram vistos como uma raça inferior que ameaçava a raça ariana pela dominação do mundo.

O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores (Partido Nazista) foi fundado em 1920 por Anton Drexler, Adolf Hitler e Martin Bormann com essa mesma ideologia antissemita. Hitler sempre deixou claro seu ódio pelos judeus. Em seu livro Mein Kampf, ele avisou sobre sua intenção de expulsá-los da vida política, intelectual e cultural da Alemanha. Outra declaração, ainda mais contundente, dizia que quando ele estivesse no poder iria aniquilar os judeus por meio de enforcamentos indiscriminados até que toda a Alemanha fosse completamente limpa de judeus.

Quando Adolf Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha (chefe de governo) pelo presidente em 1933, implantou um governo autoritário e criou campos de concentração (1933-1945) de trabalhos forçados para os chamados “degenerados” e grupos “anti-sociais”, dos quais fariam parte: judeus, homossexuais, ciganos, negros, deficientes físicos e mentais, as testemunhas de Jeová e os opositores políticos.

Em 1942, seis grandes campos de extermínio foram estabelecidos pelos nazistas na Polônia ocupada, que foram construídos exclusivamente para extermínios em massa.  Os presos tinham que, literalmente, trabalhar até a morte, ou trabalhar até a exaustão física, quando seriam então levados para as câmaras de gás ou fuzilados.

Além dos campos de concentração, os nazistas também estabeleceram guetos (1940-1945). O gueto era um lugar de confinamento de judeus antes de serem enviados para os campos de extermínios. O maior gueto, e o mais conhecido, foi o de Varsóvia, onde 380 mil judeus foram confinados em 2,4% da área da cidade, com uma média de 9,2 pessoas por quarto.

Uma resistência judaica se formou nos guetos. Ocorreram vários levantes nos guetos, mas todos foram esmagados pela força militar nazista, muitos judeus foram mortos e os sobreviventes foram deportados para os campos. O levante mais conhecido, também, foi o de Varsóvia, que durou de 19 de Abril a 16 de Maio de 1943, enquanto a resistência polonesa diante da invasão nazista durou de 1 de Setembro a 6 de Outubro de 1939.

O primeiro grande campo de extermínio a ser liberto foi Majdanek, por intermédio dos soviéticos, em 23 de julho de 1944. Os últimos foram: Auschwitz, também pelos soviéticos, em 27 de janeiro de 1945; Bergen-Belsen, pelos britânicos, em 15 de abril de 1945 e Dachau, pelos americanos, em 29 de abril de 1945. Enquanto Treblinka, Sobibor e Bełżec nunca foram libertados, mas foram destruídos pelos nazistas.

O historiador norte-americano Michael Berenbaum afirma que a Alemanha tornou-se um “Estado genocida”, onde cada braço da sofisticada burocracia do país estava envolvido no processo de matança. Igrejas paroquiais e o Ministério do Interior forneciam registros de nascimento mostrando quem era judeu; os Correios entregavam ordens de deportação e de desnaturalização; o Ministério das Finanças confiscou propriedades judaicas; empresas alemãs demitiram trabalhadores judeus e acionistas judeus foram marginalizados.

O historiador israelense Saul Friedländer escreve que: “Nem um grupo social, nenhuma comunidade religiosa, instituição acadêmica ou associação profissional na Alemanha e em toda a Europa declarou a sua solidariedade para com os judeus”.

Desde 1945, o número mais citado para o total de judeus mortos durante o Holocausto é o de seis milhões de pessoas. Esse número impressionante é atribuído a Adolf Eichmann, um alto funcionário da SS.

O Museu Yad Vashem (Museu da Shoá em Israel) afirma que as principais fontes para estas estimativas são comparações de censos anteriores à guerra e após o conflito, além de estimativas populacionais e documentos nazistas sobre deportações e assassinatos. Seu banco de dados central de nomes das vítimas da Shoá detém, atualmente, cerca de três milhões de nomes, e está acessível on-line. O Yad Vashem continua seu projeto de coletar os nomes de vítimas judias em documentos históricos e memórias pessoais.

A historiadora norte-americana Lucy S. Dawidowicz utilizou os dados do censo pré-guerra para estimar que durante o nazismo 5 934 000 judeus morreram. Certa vez, um rabino foi questionado sobre o número de seis milhões de judeus mortos, ao que respondeu: “Não foram seis milhões de judeus assassinados. Assassinaram um judeu, e isso aconteceu seis milhões de vezes”.

Apesar da Shoá, na qual um terço da população judaica mundial foi dizimada, ainda assim o povo de Israel vive como na visão do Vale de Ossos Secos do profeta Ezequiel: “Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados. E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR” (Ez.37:11,13-14).



Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião, Mestre em Letras - Estudos Judaicos (USP).

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